A cultura no Brasil

A bestialização da política

 

     Eu não andava a insistir para que se dicionarizasse o vocábulo judicialização, o que, em boa hora, a Porto Editora, por sugestão minha, fez? Lá surge no artigo, que citarei de seguida, do correspondente da TSF no Brasil, João Almeida Moreira, sobre esse país que inventámos, e daí ser como é: «Conhecida pela falta de cultura dos seus tribunos, houve discursos patéticos, repletos de imprecisões e erros de português documentados pelos jornais. Até que surgiu André Lazaroni (MDB), o secretário estadual da Cultura, que, a julgar pelo cargo que ocupa, iria acrescentar algo de mais erudito ao debate. E começou bem ao citar um dramaturgo alemão do século passado: “Ai do povo que precisa de heróis”, disparou aludindo à judicialização da política local. “Como dizia”, prosseguiu, “o dramaturgo Bertoldo Brecha.” Ora Bertoldo Brecha, como meio Brasil sabe, era personagem cómica de um programa do humorista Chico Anysio com nome inspirado em Bertolt Brecht (1898-1956), o autor da tal frase. Alertado para a gafe por um deputado, não se mostrou muito convencido. Para o homem forte da cultura do Rio, onde os poderosos são tão hábeis a descobrir brechas na lei, Brecht é Brecha e ponto final» («Chico Anysio supera Brecht na Assembleia do Rio de Janeiro», TSF, 19.04.2018, 9h52).

 

[Texto 9076]

Helder Guégués às 11:41 | comentar | favorito | partilhar
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