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Linguagista

A gramática do insulto

De fidalgo a fideputa

 

      «“Tira a minha mulher da equação ou vou-te aos cornos”, dizia um dos sms enviados pelo marido de Maria Luís Albuquerque ao antigo colega. “Tu não sabes quem eu sou. Metes a minha mulher ao barulho e podes ter a certeza que vais parar ao hospital”, podia ler-se noutro. Mas não ficou por aqui. “Vai para o caralho cabrão” e “Vai para o caralho seu merdas” são outras das injúrias que deram origem ao processo aberto pelo Departamento de Investigação e Acção Penal, depois de o jornalista Filipe Alves ter apresentado queixa. “Reafirmo, tu e o teu director são uns cabrões fdp”, escreveu também António Albuquerque, que neste momento não presta declarações sobre o assunto. O mesmo sucede com a sua advogada, Carla Alves Ferreira» («Marido da ministra das Finanças arguido por ameaçar jornalista», Ana Henriques, Público, 17.07.2015, p. 8).

      Não é um homem inteligente, essa a primeira conclusão. Segunda: não podia ser condenado apenas por aquele «fdp»*. Terceira: não domina a pontuação e, logo, a gramática. Falta a vírgula antes dos vocativos: «Vai para o caralho, cabrão.» «Vai para o caralho, seu merdas.» E, Ana Henriques, pode dizer-nos porque escreve sms e não SMS?

 

[Texto 6061]

 

* Diz-se filho (ou filha) de (ou da e duma) puta. Como já outros viram, há muito (e outros agora não querem ver), a ausência ou o aparecimento dos artigos a, uma denotam graduação da intensidade ofensiva. Em Gil Vicente, «fideputa», que se formou como «fidalgo».

 

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