«A minha pátria é...»

Do rigor paranóico

 

      Podia ser o nome de uma rubrica do Linguagista, pois já vimos aqui outros casos. Carlos Reis, coordenador do congresso internacional «Língua Portuguesa: uma Língua de Futuro», que decorre por estes dias em Coimbra, disse — inesperadamente — grandes verdades, tal como faltar vontade política para promover a língua portuguesa. Disse mais: «“Estamos cansados de ouvir e voltar a ouvir gente com responsabilidade citar: a minha pátria é a língua portuguesa’. Como se isso aliviasse as consciências”, criticou. Para além de muitas vezes mal atribuída a Fernando Pessoa, “não basta proclamar” tal expressão, frisou, terminando o seu discurso com uma interrogação sobre se ainda se vai falar em língua portuguesa nos 800 anos da Universidade de Coimbra» (Observador, 2.12.2015, aqui). Será mesmo mal atribuída? Até parecem entidades diversas. Vá lá explicar a uma criança de 8 anos, ou a um analfabeto de qualquer idade, que a frase é e não é de Fernando Pessoa. Inês Pedrosa, no sítio da Internet da Casa Fernando Pessoa: «“A minha pátria é a língua portuguesa”, escreveu, profeticamente, Fernando Pessoa.» 

 

[Texto 6445]

Helder Guégués às 09:31 | favorito
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