A negligência dos jornalistas

Inacreditável

 

       «Especialistas defendem que até 57,4% dos doentes que tiveram covid-19 desenvolveram algum tipo de sintoma neurológico, segundo um estudo liderado por um investigador de Albacete, Espanha, e publicado na revista médica Neurology. [...] Segundo o estudo, 57,4% dos pacientes avaliados em Albacete desenvolveram algum sintoma neurológico: 17% mialgia; 14% cefaleia e 6% instabilidade, mais comuns nos estágios iniciais da infeção, enquanto outros tiveram perda de olfato e disgenesia (distúrbios do paladar)» («Estudo admite que 57,4% dos doentes desenvolveram algum sintoma neurológico», Rádio Renascença, 9.07.2020, 18h45, itálico meu).

      Este caso é bem representativo da negligência da nossa imprensa. Em todos os meios, porque dimanou da Lusa, se lê «disgenesia (distúrbios do paladar)». Na RR, TVI, SIC, Público, Visão, Observador, em todos o erro e nenhum corrige nada. Tristeza. Até num jornal médico! A disgenesia diz respeito à função reprodutora. Não se tem vindo a falar na perda do olfacto (anosmia) e do paladar como dois dos sintomas de quem tem covid-19? Pois bem, o termo médico para a perda do paladar é disgeusia. Vagamente semelhante, mas sem nenhuma relação.

      Também há uma lição para os dicionaristas: qual a razão para só um destes termos estar no dicionário geral da Porto Editora?

 

[Texto 13 705]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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