A nor-nordeste de Arraiolos

Jornalismo desnorteado

 

      «Um primeiro comunicado informava que “pelas 11h51 (hora local) foi registado nas estações da Rede Sísmica do Continente, um sismo de magnitude 4.9 (Richter) e cujo epicentro se localizou a cerca de 8 km a Norte-Nordeste de Arraiolos”» («Sismo de 4,9 gera pânico em Évora. “Nunca senti uma coisa como esta”», Rosário Silva, Rádio Renascença, 15.01.2018, 11h59).

      Foi mesmo isto que se podia ler no comunicado do Instituto Português do Mar e Atmosfera? Bem, talvez seja verdade. Seja como for, as redacções deviam curar-se do psitacismo de que sofrem há anos e deixar de se limitar a copiarem o que diz a Lusa. Qualquer jornalista tem de saber que a única pontuação que se pode empregar na numeração é a vírgula, para separar a parte inteira da parte decimal. Logo, 4,9. Por outro lado, os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais grafam-se com minúscula inicial. Logo, norte-nordeste. Por último, nos pontos subcolaterais, o habitual é reduzir o primeiro termo. Logo, nor-nordeste. Só não aprendem se não quiserem.

 

[Texto 8585]

Helder Guégués às 08:47 | comentar | favorito
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