A realidade fora dos dicionários

Hoje, a fauna

 

      «A crescente urbanização que a sua bacia hidrográfica sofreu na segunda metade do século XX, [sic] tornou-a num verdadeiro esgoto a céu aberto e quase matou a vida nas suas águas. Mas com o melhoramento gradual do saneamento a ribeira “ressuscitou” e hoje, de acordo com o estudo “Caracterização das Comunidades Piscícolas das Ribeiras do Concelho de Cascais – 2017”, já existem seis espécies de peixes na Ribeira de Caparide. Três nativas – enguia-europeia, boga-portuguesa e escalo do sul – e três não-nativas – gambúsia, carpa e perca-sol» («A misteriosa cascata de Cascais», «Vida Extra»/Expresso, João Paulo Galacho, 14.11.2018, 12h00).

      E no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, como estamos de espécies nativas e não-nativas? Das nativas, só regista a primeira. Assim, faltam a boga-portuguesa (Iberochondrostoma lusitanicum) e o escalo-do-sul (Squalius pyrenaicus). Das não-nativas, apenas acolhe a carpa. Assim, faltam a gambúsia (Gambusia holbrooki, Girard 1859) e a perca-sol (Lepomis gibbosus). Quanto ao Gambusia holbrooki, o pobre falante vai encontrar a grafia «gambusia» no Dicionário de Termos Médicos e «gambúsia» no Dicionário de Francês-Português e no Dicionário de Inglês-Português. Não é grande ajuda, pois não?

 

[Texto 10 296]

Helder Guégués às 09:34 | favorito
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