«Alvarelhão» e «bastardo»

Com os copos

 

 

      «Durante o jantar, misturando copiosamente o verde e o alvarelhão, Gonçalo não cessou de ruminar a ousadia do Casco. Pela primeira vez, na história de Santa Ireneia, um lavrador daquelas aldeias, crescidas à sombra da Casa ilustre, por tantos séculos senhora em monte e vale, ultrajava um Ramires!» (A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queiroz. Porto: Lello & Irmãos, «Colecção Obras de Eça de Queiroz», 1912, p. 168).

  Em edições mais recentes, «alvarelhão» é grafado com maiúscula inicial. Não, pior do que isso: em edições modernas até escrevem «Alvaralhão»! Pobres livros, desgraçados leitores. Entretanto, porque no Dicionário da Língua Portuguesa só figurava como nome de casta (e o mesmo sucedia com «bastardo»), sugeri e aceitaram acrescentar a acepção que designa o próprio vinho. Assim está melhor.

 

[Texto 4400] 

Helder Guégués às 18:58 | comentar | favorito
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