«Antinómio»?

Muito me contam

 

      «Nas décadas posteriores, o uso deste antinómio [ordem/desordem] faz-se quase exclusivamente nos discursos comemorativos do 28 de Maio, ainda que se não caísse no exagero de mencionar a multiplicidade de aspectos que compunham a “desordem republicana” ou de repetir sistematicamente todas as realizações da obra sempre “inacabada” do Estado Novo» (Os Discursos e o Discurso de Salazar, José Martinho Gaspar. Lisboa: Prefácio, 2001, p. 110).

      Podia rastrear o uso do termo em teses, dissertações, discursos oficiais, literatura... Nem sempre sabemos, quando estamos perante um erro, tão bem como nesta citação acima o que pretende o autor dizer. Pois, é «antinomia». Só há um problema: «antinómio» não existe. O que existe é o adjectivo «antinómico» (que forma uma antinomia; oposto; contraditório), relativo a «antinomia». E depois temos o antimónio, o elemento com o número atómico 51. Em suma, quando os textos, seja qual for a sua natureza, não são revistos, nota-se muito. Até de olhos fechados.

 

[Texto 9900]

Helder Guégués às 06:53 | comentar | favorito