«Aqui há atrasado»

Mas vamos revivescê-la

 

      «Aqui há atrasado, um amigo jurista garantia-me que se o Ministério Público o acusasse de um crime de homicídio em Bragança, havendo cem testemunhas que garantissem que à hora do crime ele estava em Vila Real de Santo António, a primeira coisa que faria era fugir do país o mais depressa possível» («O maior problema da nossa democracia», Pedro Marques Lopes, Diário de Notícias em linha, 29.10.2017, 00h07).

    Pedem-me que comente o uso da expressão aqui há atrasado. Obedeço. Começar por dizer que não a aprecio nem a usaria, não é útil a ninguém. Já garantir que está correcta, que o seu uso sempre foi circunscrito e hoje em dia quase ninguém a emprega, isso já tem utilidade. «Conta-se que um ladrão de sepulturas que aqui há atrasado violou uma campa, morreu logo ali como esganado por mãos invisíveis e à mesma hora lhe ardia a casa de moradia com mulher, filhos e netos lá dentro» (O Prenúncio das Águas, Rosa Lobato de Faria. Porto: Asa, 1999, p. 43).

 

[Texto 8285]

Helder Guégués às 15:40 | comentar | favorito
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