As várias espécies de caracóis

Conhecimento desprezado

 

      Em pouco tempo, o Correio da Manhã já veio duas vezes falar em caracóis. Na sexta-feira passada, um pequeno apontamento («Sexta», Paulo Forte, p. 33) dava a conhecer as quatro espécies distintas que se consomem em Portugal: Theba pisana, mais conhecida como caracol-mediterrâneo, Otala lactea, conhecida como caracoleta-riscada, Helix aspersa, conhecida como caracoleta-moura, e Helix cepae, conhecida como caracol-canário. Nem os dicionários dizem tanto. Caracol, diz-nos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «nome vulgar extensivo a diversos moluscos gastrópodes, pulmonados, da família dos Helicídeos, com duas antenas na cabeça e uma concha espiralada que serve de protecção ao corpo». De caracoleta, apenas nos diz que é o «caracol grande». Ora, já no início do século XX se podia ler na Gazeta das Aldeias: «Caracoleta-Moura – Nome dado no Algarve ao caracol da espécie Helix aspersa, Muller, muito vulgar nas hortas, vinhas e jardins, onde causa sensíveis danos.» Não nos podemos dar ao luxo de deixar sepultado no pó todo este conhecimento.

 

[Texto 9382]

Helder Guégués às 11:05 | comentar | favorito | partilhar
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