«Blastóide»?

Ora vejamos

 

      «“Pela junção do número certo de células num cocktail específico de moléculas, desencadeámos a reacção de auto-organização”, conta ao PÚBLICO Nicolas Rivron. Esses dois tipos de células estaminais embrionárias permitiram assim formar uma estrutura com três dias e meio, tal como se fosse um blastocisto. “Chamámos a esses embriões sintéticos ‘blastóides’ [que significa ‘como o blastocisto’]”» («Criados embriões só com células estaminais pela primeira vez», Teresa Serafim, Público, 3.05.2018, p. 28).

      Era a minha pergunta, já a seguir. De facto, a imprensa francesa fala em blastoïdes, como a anglo-saxónica em blastoids (se bem que no título da Nature esteja «blastocyst-like structures»), e por aí fora, imagino. Blastóides já nós tínhamos: no dicionário da Porto Editora, podemos comprovar que é o nome da «classe de equinodermes desaparecidos, fixos, cujo cálice tinha a forma de um botão de rosa e que viveram do Ordovícico ao Pérmico». E etimologicamente, blastóide designa apenas o que tem forma de botão, de gérmen.

 

[Texto 9156]

Helder Guégués às 12:38 | comentar | favorito | partilhar
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