«Bolsar/bolçar»

Também é antológica

 

 

    «A outra citação da sessão plenária foi... antológica. Rematando o discurso em nome do PS, retomou Carlos Enes um hábito necrófilo seu, recente, até como cronista do Correio da Manhã: “desenterrar” e descontextualizar excertos, e divagar sobre frases extraídas dos registos sobre os mortos, sendo que estes, por sua vez, têm a vantagem de sobre tais interpretações se manterem silenciosos. Porventura na ânsia de produzir a citação menos literária possível do único escritor de Língua Portuguesa já galardoado com o Nobel da Literatura, assim tomado como burocrata, bolsou: “É preciso cumprir o que foi assinado.”» («Um relvado à beira-mar mal plantado», Madalena Homem Cardoso, Público, 9.06.2014, p. 46).

    Bolsar, já o escrevi várias mas não suficientes vezes, significa fazer bolsos e foles. A médica, escritora e activista cívica devia ter escrito «bolçar», isto é, vomitarBolçar e vomitar provêm do mesmo étimo latino, sendo assim palavras divergentes ou alótropos. Através de vários fenómenos fonéticos, de vomitiare (intensivo de vomere) chegou-se a bolçar.

 

[Texto 4693]

Helder Guégués às 10:34 | comentar | favorito
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