Bombardeamentos aliados

Fronteiras e limões

 

 

      «A devastação dos bombardeamentos Aliados, no centro de Palermo, permitiu à máfia completar a destruição com um boom de construção no pós-guerra que arrasou a Conca d’Oro sob uma rede de estradas municipais e subúrbios construídos à pressão e com materiais de fraca qualidade» («Contar a História de Itália com citrinos», Jonathan Keates, recensão da obra The Land Where Lemons Grow: The Story of Italy and Its Citrus Fruit, de Helena Attlee, Particular Books, 2014. «Quociente de Inteligência»/Diário de Notícias, 3.05.2014, p. 16).

    Boa recensão e bom livro certamente. Helena Attlee tem uma obra sobre os jardins de Portugal. Quanto à recensão, a primeira nota é para a ausência, que já se vai tornando hábito, de créditos da tradução. A letra grelada, como dizia António Feliciano de Castilho, já sabemos a que se deve: no original, está «Allied bombing». Mas não: «Tovar, em Berlim, também relatava directamente os efeitos dos bombardeamentos aliados sobre as cidades alemãs» (Salazar: Uma Biografia Política, Filipe Ribeiro de Menezes. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2010, p. 305). Também é curioso como se evita a palavra «limoal» (porque se desconhece?): o original diz «orchards of orange and lemon»; na tradução, «laranjais e pomares de limoeiros».

  «Attlee», escreve Jonathan Keates, «é perita em desenterrar [expert winkler-out] factos pouco conhecidos, neste caso o pormenor de que “comer limões” significa atravessar fronteiras, uma vez que o fruto vai buscar o seu nome à pequena cidade de Limone, que ficava na região da fronteira na época dos primeiros tempos do domínio romano, que, por sua vez, buscou a sua designação na palavra limen (fronteira).»

 

[Texto 4497] 

Helder Guégués às 10:17 | favorito
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