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Linguagista

Começou tudo com os comboios

Foi assim

 

      É curioso que se diga luz verde para significar permissão para avançar com determinado projecto, acção, etc., mas não «luz vermelha» para o oposto. Nem amarela para aguenta aí. Vermelho para parar, verde para avançar. Toda a gente reconhece o código, mas poucos saberão quando começou. Na verdade, foi com os comboios e não com os automóveis. As cores foram escolhidas por contraste, por tradição (o vermelho sempre teve conotação de perigo) e até por razões físicas: a luz vermelha, de maior comprimento de onda, vê-se melhor ao longe e com nevoeiro. Já a verde, por contraste espectral e por estar no pico da sensibilidade do olho humano à luz diurna, é de rápida percepção e ideal para o sinal de avanço. O primeiro semáforo de trânsito urbano moderno foi instalado em Londres em 1868, mas funcionava a gás e explodiu pouco depois. Só com o modelo norte-americano de 1914, em Cleveland, é que se iniciou o uso generalizado. Em Portugal, o primeiro semáforo terá sido instalado em Lisboa, na intersecção da Avenida da Liberdade com a Rua das Pretas*, em data incerta, em 1927 ou 1928. O sistema usava apenas duas cores e era operado manualmente por um agente da polícia, um cabeça de giz. A adopção formal do sistema tricolor (vermelho, amarelo, verde) em Portugal data de 1939.

[Texto 21 984]

 

 

* Qualquer dia, a Rua das Pretas, cujo nome remonta, ao que parece, à presença de criadas negras em casas senhoriais, talvez logo no fim do século XV, poderá ser rebaptizada Rua da Diversidade, Rua da Inclusão ou, quem sabe, Rua do Arco‑Íris, como já há em Cascais. Os wokistas rejubilariam como nunca.