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Linguagista

Como nos tratam os juízes

A era do vazio

 

      «Não estão cumpridos os “requisitos de imparcialidade objectiva e subjectiva” da juíza. É isto que defende o advogado de Bárbara Guimarães[,] que hoje apresenta um requerimento no qual pede a recusa da juíza Joana Ferrer, que está a julgar Manuel Maria Carrilho por um crime de violência doméstica. Um pedido idêntico foi entregue também pelo Ministério Público (MP), ontem, “por considerar existir motivo sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a imparcialidade da magistrada judicial”, informou a Procuradoria-Geral da República» («Bárbara Guimarães pede recusa da juíza», Andreia Sanches, Público, 18.02.2016, p. 11).

   Toma! Alguém tem de pôr os juízes na linha. Compare-se: «Ó Bárbara, causa-me nervoso ver mulheres informadas a reagirem assim. Se tinha fundamento, devia ter feito queixa.» «Sabe, Senhor Professor, os juízes também fazem trabalho de casa. Fui ler o prefácio que escreveu para o livro de Gilles Lipovestky. Fiquei a saber que é um homem bem-falante, capaz de articular. Quer falar dos factos que aqui o trazem?» É como se tivesse aterrado na véspera no planeta Terra: foi ver como escrevia um ex-ministro da Cultura. Em rigor, não ficou a saber se era ou não bem-falante, porque isso é do domínio da oralidade, e, que eu saiba, A Era do Vazio não é um audiolivro. Mas está bem. E, por outro lado, a edição daquele livro é de 2013, e em muito menos tempo qualquer pessoa pode ficar desarticulada e até, mas é mais raro, malfalante. Disse.

 

[Texto 6628]

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