«Como se»?

Já merece uma entrada

 

 

      «– Eu terei isso em atenção — garantiu-lhe Strike num tom ameno, antes de voltar para o seu gabinete, onde Bristow estava sentado como se em oração, com a cabeça inclinada sobre as mãos unidas» (Quando o Cuco Chama, Robert Galbraith. Tradução de Ana Saldanha, Maria Georgina Segurado e Rita Figueiredo. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 2.ª ed., p. 47). No original: «“I’ll bear that in mind,” Strike assured her blandly, before returning to the inner office, where Bristow was sitting as though in prayer, his head bowed over his clasped hands.»

      Já, já merece, porque vai aparecendo em várias traduções. Vimos que é mais uma invencionice, pois sempre se disse «como que» ou «como que para». E, o que é mais espantoso, não podemos dizer que seja decalque da língua de partida. Um mistério muito maior do que o do romancista desaparecido.

 

[Texto 4094]

Helder Guégués às 19:59 | favorito
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