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Linguagista

Como se escreve nos jornais

Nem contas nem contabilidade

 

      «A revista norte-americana Forbes fez de novo a contabilidade aos ganhos dos famosos e as contas não enganam: o actor norte-americano foi o segundo que mais ganhou no último ano, com 239 milhões de dólares (mais de 205 milhões de euros), ficando apenas atrás do boxeur Floyd Mayweather que, sobretudo graças ao combate com o irlandês Conor McGregor, acumulou 285 milhões de dólares (cerca de 245 milhões de euros)» («Clooney também é uma máquina de fazer dinheiro», José J. Mateus, «P2»/Público, 20.07.2018, p. 6).

      Não resistem a um estrangeirismo. Então não temos «pugilista», é preciso pedir emprestado? E quanto às contas, também faziam Anthony Bourdain possuidor de mundos e fundos, e, afinal, tudo junto, mal passava de um milhão. E também José J. Mateus mete os pés pelas mãos: «Em terceiro ficou Kylie Jenner, que com os seus 166,5 milhões de dólares está muito perto de se tornar a mais jovem multimilionária a atingir os mil milhões.» Para se compreender claramente que se trata de valores acumulados, a frase teria de ter outra redacção. O melhor é não falarem de contas nem de contabilidade.

 

[Texto 9673]

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