Como se escreve por aí

Com os pés

 

      Como é inevitável nesta época de hipocrisia, um leitor criticou-me há uns meses por eu me referir à forma como escrevia qualquer pessoa presumivelmente de poucos estudos. Eu bem gostava de analisar como escrevia esse leitor, presumivelmente de muitos estudos, mas, como era anónimo, nada pude fazer. Assim, ficam sempre a salvo. Ora bem, um grupo de moradores aqui da Costa da Guia, da classe média-alta, se calhar com alguns pós-doutorados, mandou publicar um anúncio no Jornal da Região redigido nos seguintes termos: «Será possível que a Câmara Municipal de Cascais mande destruir um parque infantil e cortar dezenas de pinheiros para aí construir uma “Sinagoga”, junto à Rua dos Tremoceiros???» Que forma de escrever... E a Rua dos Tremoceiros não é em Birre? Não será antes na Rua dos Vidoeiros, perto do Cemitério da Guia? Sim, estou de acordo que acabar com um jardim e parque infantil (o melhor aqui na zona) para construir seja o que for é grave. Não há mais terrenos? Na Rua das Faias, por exemplo, há terrenos vagos e até construções inacabadas. Seja como for, tem de se dizer que grave é que seja um edifício para qualquer fim, não que seja uma sinagoga, até porque a Câmara Municipal de Cascais afirma que se trata do Jewish Life and Learning Center, que pertencerá à Associação Chabad, de que farão parte um supermercado kosher, biblioteca, auditório, zona de formação e zona de oração. Não é, portanto, uma sinagoga. Ou sim, porque a proposta, apreciada em aprovada a 25 de Julho de 2016, falava da cedência do direito de superfície de uma parcela «destinada à construção de uma Igreja [sic] e instalações de apoio».

 

[Texto 8049]

Helder Guégués às 17:37 | comentar | favorito
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