Como se escreve por aí

Mais cuidado, caramba

 

      «A China», lê-se no sítio da Rádio Renascença, «está a criar o primeiro projeto de chuva artificial em grande escala, nas montanhas do Tibete. O plano é construir câmaras de combustão para levar chuva a 1,6 milhões de quilómetros quadrados, o equivalente a três vezes o tamanho de Espanha» («China prepara sistema de chuva artificial em grande escala», 10.04.2018, 7h57). Nada de novo, até aqui. «Essas câmaras», explicam, «queimam combustível sólido para produzir inseto de prata, um elemento necessário para criar as partículas.» Os processadores de texto têm esta coisa perversa de alterar as palavras e quem escreve, se não estiver atento — como um jornalista devia sempre estar —, vai fazer figuras tristes e, o que é muito pior, vai induzir em erro o leitor. (Quase a propósito: no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, já está corrigido o significado das expressões fazer de urso/fazer figura de urso e fazer figura de urso. Em contrapartida, não se registou a interjeição de bocejo, uah, pelo que vou continuar a ver legitimada a inglesia yawwwwwn, como aconteceu há duas semanas, isto quando aquele dicionário acolhe, por exemplo, «dah». Não compreendo estas opções.) Bem, é iodeto de prata, não «insecto de prata».

 

[Texto 9027] 

Helder Guégués às 09:24 | comentar | favorito | partilhar
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