Como se escreve por aí

Ainda há dicionários

 

      «Não terá sido por acaso que Pedro Passos Coelho, em 2014, deu a entender que Marcelo Rebelo de Sousa seria um “catavento” ou que Manuel Maria Carrilho o apelidou de “gelatina política”. Já Paulo Portas preferiu dizer que Marcelo é como o Lucky Luke: “Intriga mais depressa que a sua própria sombra.” Para esta fama contribuíram sucessivos episódios, dos quais a famosa frase “nem que Cristo desça à Terra” é um exemplo. [...] Sobre António Guterres, Marcelo passou de achar que o seu calcanhar de Aquiles era a “falta de sentido de autoridade de Estado” (1996) para dizer que ele “é a figura mais brilhante” da sua geração e o primeiro-ministro “mais-amado de Portugal” (2016)» («Ziguezagues dos políticos ou quando a memória atrapalha», Sónia Sapage, Público, 25.06.2015, p. 8).

      Não se percebe em todos os casos, mas parece que são citações do livro Ziguezagues na Política, de Pedro Prostes da Fonseca (Lisboa: Desassossego, 2018), e sendo assim estamos mal, pois a ortografia sai um pouco maltratada. É «cata-vento»: nos compostos em que o primeiro elemento é um verbo ou forma reduzida por supressão de fonemas ou sílabas, usa-se o hífen. Como é «mais amado»: deve haver aí confusão com formas como «bem-amado», «mal-amado» e até «mais-que-tudo».

 

[Texto 9493]

Helder Guégués às 15:14 | favorito
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