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Linguagista

Como se escreve por aí

Não façam isso

 

      «Se a imagem lhe causa calafrios, dispensa as apresentações. Para os menos familiarizados, aqui vai ela: eis a palmatória, menina dos cinco olhos, férula ou Santa Luzia. Formada por uma haste e um círculo, feita de madeira, adotada nas escolas algures no século XIX e usada durante grande parte do século XX, a palmatória foi um aliado indispensável para os professores e o terror de muitos alunos» («Dói só de olhar», Ana Tulha, Notícias Magazine, 11.09.2021, p. 6).

      Primeiro, endireitemos um pouco as coisas: «Se a imagem lhe causa calafrios, dispensa apresentações. Para os menos familiarizados, aqui vai ela: eis a palmatória, menina-de-cinco-olhos, férula ou santa-luzia.» (Sem AO90, para mim.) E não é ridículo que se descreva a palmatória — objecto que eu nunca vi à minha frente — daquela maneira, coincidente com a definição dos nossos dicionários, e a imagem que ilustra o texto seja de uma palmatória brasileira, que não apresenta nenhum círculo, antes parecendo uma panela de escape? Francamente. Bem podem orar a Santa Luzia, padroeira das pessoas com problemas visuais.

 

[Texto 15 459]