urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagistaLinguagistaAqui discutimos os factos da língua.LiveJournal / SAPO BlogsHelder Guégués2020-12-24T11:04:01Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39140942020-12-24T11:00:00Léxico: «ecovalor»2020-12-23T19:28:36Z2020-12-24T11:04:01Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Até na lei</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt;"> «Em relação às embalagens, refira-se, foi fixado pela Comissão Europeia um objetivo global de 65% até 2025 e de 70% até 2030. Mas chegar lá, [<em>sic</em>] pode ser complicado. “Ou mudamos o paradigma, ou não vamos a lado nenhum”, considera Rui Berkemeier. E de que forma? A Zero defende que é preciso apostar em várias frentes, como a recolha seletiva, em que o que faz sentido é cada vez mais o porta a porta e menos os tradicionais ecopontos. Ou a recolha de resíduos orgânicos, que hoje em dia vão quase todos para aterro. Ou, ainda, garantir que todas as embalagens pagam mesmo o <span style="background-color: #ffff00;">ecovalor</span>» («Portugal tem de reciclar 55% do lixo em 2025», Filomena Lança, <em>Jornal de Negócios,</em> 28.05.2020, 12h30).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 521]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39135332020-12-24T09:00:00Léxico: «socioecologia | socioecológico»2020-12-23T19:27:17Z2020-12-23T19:27:17Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Não é assim tão novo</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «A deterioração <span style="background-color: #ffff00;">socioecológica</span> do planeta apela ao surgimento de novos sacerdotes. Sobretudo, apela a uma nova ética de relacionamento entre os humanos, e entre os humanos e o meio envolvente. Os cientistas do oceano estão na vanguarda deste apelo. Falam sobre o estado do nosso planeta oceânico, mas também de como devemos e não devemos agir sobre ele. E assim surge um novo sacerdócio – fundamental» («Um novo sacerdócio: Portugal e a ciência do oceano», João Afonso Mesquita (antropólogo), <em>Público,</em> 15.11.2020, p. 11).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 520]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39131132020-12-23T11:00:00Léxico: «Brancelho | Pedral»2020-12-22T18:50:33Z2020-12-22T18:50:33Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Não é referente a pedra</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt;"> «Mas com <span style="background-color: #ffff00;">Brancelho</span>, <span style="background-color: #ffff00;">Pedral</span> ou o Verdelho Tinto, as castas históricas da região, que davam vinhos abertos, finos e intensos, que atraíram os ingleses antes da descoberta da cor e concentração do Douro e levaram a que no século XVII existisse em Viana uma feitoria dedicada à exportação dos vinhos da região» («Granito ou xisto? É das texturas que vem a riqueza e diversidade dos solos», José Augusto Moreira, «Fugas»/<em>Público,</em> 28.11.2020, p. 16).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 519]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39127032020-12-23T09:00:00Léxico: «intravarietal»2020-12-22T18:44:50Z2020-12-23T09:38:42Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Não queria nada disso</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 18pt; color: #000000;"> <span style="font-size: 14pt;">«Num negócio tão volátil e com tanta importância económica e social como é o do vinho, dispor de um património tão rico em castas e em diversidade <span style="background-color: #ffff00;">intravarietal</span> é um trunfo poderosíssimo» («Número de castas nacionais ainda é maior do que se pensava», Pedro Garcias, «Fugas»/<em>Público,</em> 28.11.2020, p. 35).</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Credo! (Ou, como não se cansam muitos tradutores de escrever, e os editores deixam passar, ignorando o óbvio: «Céus!») Não, não queria pesquisar «intraparietal». Nem «intravaginal».</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 518]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39120312020-12-22T11:00:00Léxico: «ultracongelador»2020-12-21T18:50:17Z2020-12-22T10:45:06Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Também os temos</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Não sei se repararam, mas o mundo não acabou ontem. Vamos ver se vale a pena termos sido poupados. Entretanto, a realidade não ficou estática. Hoje mesmo ouvi na RNE que a Comunidade de Aragão já recebeu mais dois ultracongeladores para conservar mais de 300 mil vacinas da Pfizer a uma temperatura de -80 ºC. Cá também os temos, claro — mas não em todos os lados. Nos dicionários ainda os não encontramos. (Ah, sim, «radiocontrolado» lá continua, impante e solitário, num dicionário bilingue da Porto Editora.)<br /></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 14 517]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39115092020-12-22T09:00:00Léxico: «granadilha»2020-12-21T16:08:40Z2020-12-21T16:08:40Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Qual nêspera!</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Estás a ver aquele fruto no cabeçalho do blogue, Porto Editora? Fui eu que o fotografei. Obrigado. Estás parva?! Uma nêspera? É uma <strong>granadilha</strong> (<em>Passiflora ligularis</em>), um fruto originário da América do Sul, da família do maracujá. A casca é cor de laranja, dura, mas frágil. A polpa, que é agridoce, translúcida e gelatinosa, contém muitas sementes pretas comestíveis.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 516]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39109472020-12-21T11:00:00Léxico: «bifuel»2020-12-21T10:21:31Z2020-12-21T10:21:31Z<p><span style="font-size: 24pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;"><strong>Depois de «bicombustível»</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Mas é em estrada que a evolução mais se faz sentir. Recorrendo à mesma plataforma que serve de base ao Renault Clio, o novo Sandero — e o Sandero Stepway, mais aventureiro — pode equipar dois motores a gasolina, de 65 e 90 cv, mas mantém a aposta nas versões ECO-G (<span style="background-color: #ffff00;">bifuel</span> gasolina e GPL), que já representam 35% do total das vendas da gama em Portugal» («Novo Dacia Sandero», Miguel Dias, «Sport»/<em>Correio da Manhã,</em> 19.12.2020, p. 17).</span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 515]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39104802020-12-21T09:00:00Léxico: «poligrafista»2020-12-20T18:00:00Z2020-12-20T21:11:15Z<p><span style="font-size: 24pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;"><strong>Mais um para a família</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: 'times new roman', times, serif;"> «Após 12 anos ao serviço da TVI, onde marcou presença em mais de 500 programas, a ‘Máquina da Verdade’ foi desligada. Contudo, o fim do contrato foi tudo menos pacífico. Segundo conta o <span style="background-color: #ffff00;">poligrafista</span> espanhol [José Antonio Landa] ao CM, tudo começou quando se recusou a testar os concorrentes do ‘Big Brother’» («Máquina da Verdade em guerra com a TVI», Sónia Dias e Duarte Faria, <em>Correio da Manhã,</em> 19.12.2020, p. 39). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: 'times new roman', times, serif;"> O pastor evangélico Paul Begley afirma que o mundo acaba hoje. (Não foi divulgada a hora.) Sendo assim... É que podemos sobreviver aos nossos inimigos, mas nunca ao próprio fim do mundo.<br /></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 514]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39100402020-12-20T09:00:00Léxico: «Moscatel-Galego» e outros2020-12-19T18:22:25Z2020-12-19T18:22:25Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Mais castas esquecidas</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #000000; font-family: 'times new roman', times, serif;"> «Composto pelas castas Viosinho e Moscatel Galego, o branco apresenta um aroma delicado com notas de madeira bem integradas» («Maniche lança vinho», Paulo Fonte, «Sexta»/<em>Correio da Manhã,</em> 18.12.2020, p. 28). Sim, <strong>Moscatel-Galego,</strong> mas também há <strong>Moscatel-Galego-Roxo, Moscatel-Galego-Tinto, Moscatel-Graúdo </strong>e<strong> Moscatel-Nunes.</strong> Há, mas não nos dicionários.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 513]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39095592020-12-19T09:00:00Léxico: «golfinho-comum»2020-12-18T20:45:47Z2020-12-18T20:45:47Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Tomem este</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Há pelo menos oito dias que o Rio Tejo, em Lisboa, tem tido a honra de ser visitado por um grupo de golfinhos da espécie Delphinus Delphis [<em>sic</em>], ou seja, o chamado <span style="background-color: #ffff00;">golfinho-comum</span>» («Golfinhos. Grupo com cria nas águas do rio Tejo à procura de comida», Vanessa Fidalgo, <em>Correio da Manhã,</em> 20.06.2020, p. 24).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 14 512]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39089882020-12-18T09:45:00Léxico: «gayzismo | gayzista»2020-12-17T22:38:33Z2020-12-17T22:38:33Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Coisas do Brasil</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Sabe quando teremos um lançamento comercial de tripulação no Brasil? Só depois que o George Soros concluir seus planos, feitos em parceria com a Ursal, para converter a Terra inteira (plana, claro) numa ditadura comunista globalista <span style="background-color: #ffff00;">gayzista</span> sob o comando da OMS e da China. É, você entendeu. Nunca» («O que esperar de Alcântara (spoiler: não são voos como o da SpaceX)», Salvador Nogueira, <em>Folha de S. Paulo,</em> 8.06.2020, p. B12).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 511]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39083762020-12-18T09:30:00Léxico: «meruje | merujem» 2020-12-17T22:24:12Z2020-12-17T22:24:12Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Ah, as variantes...</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 18pt; color: #000000;"> <span style="font-size: 14pt;">«Outra das saladas da minha memória era a de <span style="background-color: #ffff00;">merujes</span>, colhidas no final do inverno e até meio da primavera, na margem das ribeiras e cursos de água de rega, de folhinha verde-clara, tenra, frágil, um sabor raríssimo, intenso e que não consigo esquecer» («Em louvor da salada — e das azedas», Francisco José Viegas, «Sexta»/<em>Correio da Manhã, </em>19-25.06.2020, p. 37).</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Os dicionários nada dizem, mas está certo: <strong>meruje, merujem. </strong>Aliás, devíamos ter sempre um <em>j</em> ante de <em>e</em> e <em>i,</em> <em>je, ji,</em> não <em>ge,</em> <em>gi,</em> mas esta é questão que hoje fica por aqui. <strong>Meruje</strong> e <strong>merujem</strong> são, como sabem, formas nominais que derivam do verbo <strong>merujar.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt; color: #000000;">[Texto 14 510]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39079002020-12-18T09:15:00Léxico: «pinheiro-orvalhado»2020-12-17T22:22:07Z2020-12-18T09:30:58Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Melhor do que pinheiro-baboso</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Doze de outubro de 1920. Erich Behnick, jardineiro-chefe do jardim botânico de Heidelberg, na Alemanha, pede “a amabilidade do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra de enviar sementes de <em>Drosophyllum lusitanicum</em>”, numa carta dirigida à instituição. A planta carnívora, vulgarmente conhecida como pinheiro-baboso ou <span style="background-color: #ffff00;">pinheiro-orvalhado</span>, exclusiva da Península Ibérica e de Marrocos, desapareceu da coleção do jardim alemão, durante a primeira Grande Guerra. Sem sementes, o cultivo é tarefa impossível e a planta, de pétalas amarelas e <span style="background-color: #ffff00;">caule revestido de pequenos grãos que se assemelham a gotas de orvalho</span>, não voltará a crescer no jardim» («Cartas da Natureza. As respostas escondidas na correspondência do Jardim Botânico de Coimbra», Joana Gonçalves, Rádio Renascença, 1.12.2020, 10h22, itálico meu).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; color: #000000; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 509]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39075832020-12-18T09:00:00Como se escreve por aí2020-12-17T22:19:56Z2020-12-17T22:19:56Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Só na escola primária</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Parece que não são apenas meios humanos que faltam na redacção do <em>Diário de Notícias:</em> «E numa vedação separada lá está ela. A Urtiga. “Já não vai para nova”, brinca a dona, antes de acrescentar, com uma gargalhada, “não vamos as duas”. Urtiga é branca como muitos lusitanos vão ficando à medida que envelhecem. “Nascem quase sempre castanhos-escuros e o pelo vai ficando mais claro, vão ficando <span style="background-color: #ffff00;">russos</span>”, explica Barbara» («Os suíços que vieram para o Alentejo criar cavalos lusitanos», Helena Tecedeiro, <em>Diário de Notícias,</em> 22.08.2020, 00h58).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt; color: #000000;">[Texto 14 508]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39069532020-12-18T08:45:00Léxico: «pesca à varela»2020-12-17T22:18:32Z2020-12-18T09:38:41Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Ainda no Tejo</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt;"> «Ao contrário da maioria, que se reparte em duas estruturas, esta forma um sete alongado, dando-lhe o nome. No remoinho do rio ainda conseguimos perceber como funcionava. O “dente” entrava pelo rio para formar uma contracorrente e o peixe entrava direito na rede. Era a <span style="background-color: #ffff00;">pesca à varela</span>, retrata João [de Matos] Filipe no livro <em>Cultura e artes da pesca tradicional no rio Tejo</em> [Mação: O Mirante Editora]» («Os filhos de Mação querem mostrar os encantos da terra a caminhar», Mara Gonçalves, «Fugas»/<em>Público,</em> 5.12.2020, p. 4).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 507]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39064462020-12-18T08:30:00Léxico: «picareto | cestulho»2020-12-17T22:17:06Z2020-12-17T22:17:06Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Pesca no Tejo</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Numa das velhas salas de aula [da antiga Escola Primária de Ortiga], encontram-se algumas peças e instrumentos utilizados pelo último mestre calafate da aldeia na construção dos <span style="background-color: #ffff00;">picaretos</span>, os barcos regionais, entre outros utensílios, como o <span style="background-color: #ffff00;">cestulho</span>, as redes ou armadilhas feitas em verga» («Os filhos de Mação querem mostrar os encantos da terra a caminhar», Mara Gonçalves, «Fugas»/<em>Público,</em> 5.12.2020, p. 4).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 14 506]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39059482020-12-18T08:15:00Definição: «burel»2020-12-17T22:15:19Z2020-12-18T08:21:52Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Uns furos acima</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Foi quando procuravam elementos locais para a decoração do primeiro hotel que encontraram o <span style="background-color: #ffff00;">burel</span>, esse tecido rude e resistente, feito com a lã das ovelhas da serra, das raças bordaleira e mondegueira» («Isabel Costa e João Tomás. Eles acreditaram no burel e na magia de um tecido de monges e pastores», Alexandra Prado Coelho, «Fugas»/<em>Público,</em> 5.12.2020, p. 9). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Comparando com a pobreza do verbete <strong>burel</strong> nos nossos dicionários, está, convenhamos, uns furos acima.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 14 505]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39054402020-12-18T08:00:00Léxico: «carilada»2020-12-17T22:13:41Z2020-12-17T22:13:41Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Como já vimos outras</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: 'times new roman', times, serif; color: #000000;"> Já vimos como faltam nos dicionários outras semelhantes: «Pois então, Luisinha querida, deita-me aqui para o prato umas colheradas dessa <span style="background-color: #ffff00;">carilada</span> que me está a cheirar tão divinamente!» (<em>Cidade de Altos e Baixos,</em> José Lello. Lisboa: Sociedade de Expansão Cultural, 1958, p. 416).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 14 504]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39047922020-12-17T09:45:00Definição: «ombreira»2020-12-16T23:36:11Z2020-12-16T23:36:11Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Dificuldades...</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> A casa era de anões, e por isso a rapazito — decerto já mais alto do que os moradores — bateu com a cabeça na padieira («the low lintel of the door»). Padieira digo eu, que, para a tradutora, foi na ombreira. Mas isso foi há já muitos anos, agora será corrigido. Para o dicionário da Porto Editora, <strong>ombreira</strong> é o «elemento de cantaria, natural ou artificial, colocado lateralmente nas aberturas de janelas ou portas». Ora, a meu ver, falta aqui uma palavra para dar exactamente a ideia: vertical. As ombreiras são guarnições que se situam na vertical de portas e janelas e servem de apoio à verga ou padieira. Teria ajudado aquela tradutora e muitos outros com dificuldades.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 503]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39044582020-12-17T09:30:00Léxico: «peremptoriedade»2020-12-16T23:33:02Z2020-12-16T23:33:02Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>O habitual</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 18pt; color: #000000;"> <span style="font-size: 14pt;">«Creio falar em nome de todas as portuguesas e portugueses ao afirmar a <span style="background-color: #ffff00;">peremptoriedade</span> do fim dos telejornais 20 minutos após o seu começo, quiçá meia hora, para dar lugar ao futebol, não só o nacional mas todo o futebol internacional, seguido de entrevistas a treinadores, jogadores de futebol e mil e um comentadores em estúdio ou em directo» («O fim do futebol, o princípio do desporto», João André Costa, <em>Público, </em>28,07.2020, 12h02).</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Desconhecido para a Porto Editora. Já a forma «perentoriedade» vamos encontrá-la em três dicionários bilingues.</span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt; color: #000000;">[Texto 14 502]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39037582020-12-17T09:15:00Léxico: «certidão de óbito | verificação do óbito» 2020-12-16T23:29:24Z2020-12-16T23:29:24Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Imagino</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Aposto que há por aí confusões à volta disto: «Miguel Guimarães acrescenta, contudo, que aquilo que viu não era — nem podia ser —, uma <span style="background-color: #ffff00;">certidão de óbito</span>, mas apenas um documento do médico do INEM a confirmar que o ucraniano morreu, a chamada verificação do óbito. “Quando o médico que chefia a equipa do INEM não consegue salvar a pessoa apenas faz uma <span style="background-color: #ffff00;">verificação do óbito</span>”, ou seja, escreve, numa folha própria da emergência médica, que a pessoa está morta» («Ordem dos Médicos desmente Eduardo Cabrita. Médico não escreveu “morte por causas naturais”», Nuno Guedes, TSF, 16.12.2020, 17h03).</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 501]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39032632020-12-17T09:00:00Léxico: «eremícola»2020-12-16T23:24:02Z2020-12-16T23:24:02Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Desaparecido</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Um escritor como Renard, provinciano tímido e retrátil, neurastênico que se refugiara nas letras por imposição de sua natureza de <span style="background-color: #ffff00;">eremícola</span>, teria forçosamente de deixar um Diário interessantíssimo» (<em>Encontro com Escritores,</em> Eduardo Frieiro. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1983, p. 53).</span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 500]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39027882020-12-17T08:45:00Léxico: «escamadiço»2020-12-16T23:20:57Z2020-12-17T09:58:05Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Donos absentistas</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Um dia, em homenagem ao 25 de Abril, publiquei um livrinho chamado <em>Lembro-me Que</em>. Agradeço que me poupem à discussão “quem se lembra não é <em>que,</em> é <em>de que...</em>”. Trago Celso Cunha e Lindley Cintra (<em>Nova Gramática do Português Contemporâneo</em>) como anjos protetores: “Quando o objeto indireto vem expresso por oração desenvolvida, a preposição <em>de</em> pode faltar.” E citam Rubem Braga: “Lembro-me que certa vez juntei uma porção de artigos médicos sobre o assunto.” Criticarem-me ainda vá, mas beliscarem-me o Braga, aí, fico <span style="background-color: #ffff00;">escamadiço</span>! Adiante...» («Crónica nostálgica de gestos quase em extinção», Ferreira Fernandes, <em>Público, </em>29.08.2020, p. 55). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> Houve uma altura em que ouvia muito esta palavra. Para meu máximo espanto, encontro-a no <em>VOLP</em> da Academia Brasileira de Letras, mas não no dicionário da Porto Editora. Se fôssemos, como alguns (ignorantes) defendem, donos da língua, teríamos de reconhecer que somos donos absentistas.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; color: #000000; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 499]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39023882020-12-17T08:30:00Definição: «co-infecção»2020-12-16T23:19:13Z2020-12-16T23:19:13Z<p><span style="font-size: 24pt; font-family: 'book antiqua', palatino, serif;"><strong>Dois ou mais</strong></span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: 'times new roman', times, serif; color: #000000;"> <span style="font-size: 14pt;">«Os ganhos [pelo uso da máscara] são múltiplos. A começar pela diminuição da transmissão do vírus na comunidade. Havendo menos influenza a circular, a pressão sobre os hospitais será menor. Com um ganho absoluto no ataque às <span style="background-color: #ffff00;">coinfeções</span>. E um impacto positivo na pneumonia» («Incidência de gripe em Portugal continua praticamente zero», <em>Jornal de Notícias,</em> 15.12.2020, 10h28). </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: 'times new roman', times, serif; color: #000000;"> Para a Porto Editora, <strong>co-infecção</strong> é a «infecção por <span style="background-color: #ffff00;">dois tipos</span> de vírus em simultâneo». Ah, sim? E se forem três? Não, a definição só pode ser «infecção por <span style="background-color: #ffff00;">dois ou mais</span> tipos de vírus em simultâneo».</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 8pt; color: #000000;">[Texto 14 498]</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:39017802020-12-17T08:15:00Sobre a Etiópia2020-12-16T23:17:12Z2020-12-16T23:17:12Z<p><span style="font-family: 'book antiqua', palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Isso era em 2006</strong></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: 'times new roman', times, serif; font-size: 14pt; color: #000000;"> «Com mais de 102,5 milhões de habitantes, a Etiópia é o segundo Estado mais populoso de África, depois da Nigéria.» Veja-me isso bem, Margarida, porque a <em>Infopédia</em> diz que são apenas 74 777 981 habitantes. Ah, sim, pararam em 2006.</span></p>
<p> </p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: 'times new roman', times, serif;">[Texto 14 497]</span></p>