urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista Linguagista Aqui discutimos os factos da língua. LiveJournal / SAPO Blogs Helder Guégués 2020-06-10T09:33:23Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3493136 2020-06-10T09:45:00 Léxico: «sapo-bufo | janado» 2020-06-09T21:29:42Z 2020-06-10T09:25:18Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Coisa de princesas (e janados)</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">     <span style="font-size: 14pt;"> «Há onze meses que o ator, de nome verdadeiro Ignacio Jordá González, está a ser investigado pela morte do fotógrafo de moda Jose Luis Abad, na sua casa de Enguera (Valência), em julho de 2019, durante um ritual com DMT, substância alucinogéna [<em>sic</em>] proveniente do <span style="background-color: #ffff00;">sapo-bufo</span>. Vidal foi acusado juntamente com uma prima e um assistente, que também participaram na cerimónia e que a filmaram com um telemóvel» («Ícone da pornografia acusado de homicídio», Sónia Dias, <em>Correio da Manhã,</em> 8.06.2020, p. 38).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      É o <strong>sapo-bufo</strong> (<em>Bufo marinus</em>), e, de facto, podem ocorrer graves episódios de neurotoxicidade se se lamber a sua pele. Mas quem vai lamber a pele de um sapo?! Alguma princesa em risco de ficar para tia, imagino, ou, lá está, um janado.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 527]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3492973 2020-06-10T09:30:00 Léxico: «triagem de Manchester | enfartar» 2020-06-09T21:25:43Z 2020-06-10T09:29:18Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Eu quero saber</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">     <span style="font-size: 14pt;"> «Apesar de as queixas poderem configurar que estaria a <span style="background-color: #ffff00;">enfartar</span>, o enfermeiro atribuiu-lhe uma pulseira amarela – que, no sistema de <span style="background-color: #ffff00;">triagem de Manchester</span>, configura caso urgente com atendimento no espaço máximo de uma hora. Acima dessa cor, há as pulseiras laranja, para casos muitos urgentes (atendimento em 10 minutos), e a vermelha, emergência (observação imediata)» («Morreu na urgência após seis horas de espera na Urgência», Nuno Miguel Ropio, <em>Jornal de</em> <em>Notícias,</em> 8.06.2020, p. 22).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 526]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3492799 2020-06-10T09:15:00 Unidade monetária e código 2020-06-09T21:23:34Z 2020-06-10T09:30:05Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Mais e melhor</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">    <span style="font-size: 14pt;">  «Foram vendidas cerca de 72 milhões de máscaras, em Macau, desde final de janeiro, segundo revelaram, este sábado, as autoridades do território, na conferência de imprensa diária sobre a pandemia da Covid-19. [...] A cada dez dias, cada pessoa pode adquirir dez máscaras em cerca de meia centena de farmácias convencionadas no território, a um preço reduzido: oito <span style="background-color: #ffff00;">patacas</span>, ou seja, menos de um euro» («Macau vende cerca de 72 milhões de máscaras durante a pandemia», Rádio Renascença, 23.05.2020, 11h59).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      Não estaria mal, bem pelo contrário, que todos os dicionários começassem a indicar, no verbete de cada unidade monetária actual, o código da moeda, neste caso, MOP.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 525]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3492463 2020-06-10T09:00:00 Sigla «EPC» 2020-06-09T21:21:32Z 2020-06-09T21:21:32Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Ou seja, EPI e EPC</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">    <span style="font-size: 14pt;">  «O director do Gabinete Provincial da Saúde avançou que do material recebido constam <span style="background-color: #ffff00;">equipamentos de protecção individual e colectiva</span>, como fatos, luvas, máscaras e óculos, termómetros infra-vermelhos e sacos para cadáveres» («Huambo reforçado com 20 toneladas», Victória Quintas, <em>Jornal de Angola,</em> 6.06.2020, p. 6).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 524]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3492211 2020-06-10T08:45:00 Léxico: «azul-e-branco» 2020-06-09T21:18:39Z 2020-06-09T21:18:39Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Estes não são do futebol</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">     <span style="font-size: 14pt;"> «Os taxistas, vulgo “<span style="background-color: #ffff00;">azuis e brancos</span>” e mototaxistas, que operam no município de Cacuaco, ameaçam paralisar os serviços, caso a administração da circunscrição insista em manter a actual rota que alegam não oferecer condições para o trabalho que exercem» («Taxistas ameaçam paralisar serviços na zona de Cacuaco», Manuela Gomes, <em>Jornal de Angola,</em> 6.06.2020, p. 6).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      Como já temos os nossos <strong>azuis-e-brancos, </strong>Porto Editora, não custa muito pôr lá estes angolanos. (Se me descuido, ainda me fazem sócio correspondente da Academia Angolana de Letras.)</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 523]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3491982 2020-06-10T08:30:00 «Pagar por bom» 2020-06-09T21:14:31Z 2020-06-09T21:14:31Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Se alguém souber mais</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">     <span style="font-size: 14pt;"> «Atiraram-se ele e os outros que o ladeavam ao chão, tomados de justo pânico. Tive a sorte de falhar a pontaria, sem o quê o teria tido de pagar por bom» (<em>Um Poeta Recorda-se: Memórias de Uma Vida,</em> Armindo Rodrigues. Lisboa: Edições Cosmos, 1998, p. 132).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      Não era esta a frase, mas semelhante, que o leitor João Máximo citou para me perguntar o que significa aquele «pagar por bom», que não encontrara em nenhum dicionário. O que lhe respondi foi que, a meu ver, o temos de interpretar literalmente: pagar por bom, quando ele não presta. Alguém tem opinião diferente ou informação de que não disponho?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      Para não haver dúvidas, a citação era esta: «Nada de o agarrar, que não vão os meus criados escadeirá-lo e eu ter de o pagar por bom», no drama <em>Justiça</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 522]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3491627 2020-06-10T08:15:00 Léxico: «olheiro» 2020-06-09T21:12:15Z 2020-06-10T09:33:23Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Está, mas...</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">     <span style="font-size: 14pt;"> «As ações de pesca artesanal de arrasto de tainha envolvem dezenas de pessoas em funções variadas. São os “<span style="background-color: #ffff00;">olheiros</span>”, que ficam em pontos altos da praia para observar a chegada dos cardumes; os barqueiros, que esperam o aviso para remar em altomar e fazer o cerco aos peixes; e os puxadores, que fazem força para arrastar a rede com as centenas de quilos de tainha para a areia» («Pesca artesanal de tainha no SC troca coletivo pela distância», Vanessa da Rocha, <em>Folha de S. Paulo,</em> 6.06.2020, p. A22). </span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;"><span style="font-size: 14pt;">      É, de facto, assim, mas nem sequer está em todos os dicionários publicados no Brasil. Cá, os olheiros não andam, é certo, só na «indústria» do futebol, mas nos dicionários estão ocultos numa acepção demasiado genérica. Por falta de espaço não é.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 521]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3491360 2020-06-10T08:00:00 Um acrescento útil a «zairense» 2020-06-09T21:08:41Z 2020-06-09T21:08:41Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>E não custa nada</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">     <span style="font-size: 14pt;"> «A independência da República Democrática do Congo veio em 1960 e seu nome atual foi adotado em 1964 (com um intervalo em que foi chamado de Zaire, de 1971 e 1997). O país é hoje o segundo maior da África em área e o quarto mais populoso, com cerca de 86 milhões de habitantes» («Belgas querem derrubar ícones de rei que massacrou africanos», Ana Estela de Sousa Pinto, <em>Folha de S. Paulo,</em> 6.06.2020, p. A18). </span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;"><span style="font-size: 14pt;">      Isto, que é rigoroso, devia estar nos dicionários. Onde? No verbete,<strong> zairense,</strong> Porto Editora: «relativo ao rio Zaire ou à República Democrática do Congo (antigo Zaire, <span style="background-color: #ffff00;">entre 1971 e 1997)</span>, ou que é seu natural ou habitante».</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 520]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3491173 2020-06-09T09:45:00 Léxico: «amorreu | perizeu | heveu | jebuseu» 2020-06-08T19:02:19Z 2020-06-09T08:58:44Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Substituir por ***</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">      <span style="font-size: 14pt;">Abrimos a Bíblia (a minha está sempre na mesa de 202 x 100 cm onde trabalho): «Das cidades destes povos, que o Senhor, teu Deus, te há-de dar por herança, é que não deixarás nelas alma viva. Votarás à destruição, o hitita, o amorreu, o cananeu, o perizeu, o heveu, o jebuseu, como te ordenou o Senhor, teu Deus» (Dt 20,16-17). De seguida, abrimos o <em>Dicionário da Língua Portuguesa</em> da Porto Editora: nem rastos de <strong>amorreu, perizeu, heveu </strong>e<strong> jebuseu. </strong>No futuro, as edições da Bíblia podem substituir estes gentílicos por três ***.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 519]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3491053 2020-06-09T09:30:00 Léxico: «respiro» 2020-06-08T18:52:54Z 2020-06-08T18:52:54Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>O canalizador é que sabe</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">      <span style="font-size: 14pt;">O que o canalizador, que vinha mudar a válvula do lavatório (mas eu é que acabei por fazer o serviço), disse é que podia pôr uma válvula do tipo clic-clac porque o lavatório tinha respiro; se não tivesse, teria de pôr uma válvula de escoamento livre. Ainda estive para lhe dizer que devia falar mais alto, para ser ouvido na Porto Editora, que afirma que <strong>respiro</strong> é o «orifício destinado a deixar entrar e sair o ar». Ar, água ou seja o que for, na verdade.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 518]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3490673 2020-06-09T09:15:00 Definição: «bailéu» 2020-06-08T18:47:42Z 2020-06-09T08:20:45Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Muito nebuloso</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      <span style="font-size: 14pt;">Cada vez é mais comum a pintura de fachadas com recurso, não a andaimes, mas a bailéus. Duvido que a definição de <strong>bailéu</strong> no dicionário da Porto Editora leve o leitor a saber o que é exactamente: «andaime móvel utilizado para construção ou reparação de edifícios». Sim, é móvel, mas melhor seria dizer que é um andaime ou plataforma suspensa de cordas ou cabos de aço, e por vezes auxiliado por um motor eléctrico, para o elevar e baixar. E ainda que se possa dizer que a pintura se enquadra na reperação, eu diria que é <u>utilizado em trabalhos de construção, reparação ou pintura</u>. Isso mesmo, a palavra «edifícios» está a mais. Com mais umas quantas palavras, subsistiriam menos dúvidas.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 517]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3490501 2020-06-09T09:00:00 Capoto, viochene, tuvenã... 2020-06-08T18:43:53Z 2020-06-08T18:43:53Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Aqui que ninguém nos ouve</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">     <span style="font-size: 14pt;"> Fomos mesmo a tempo, Porto Editora: «A Câmara de Marco de Canaveses vai retirar placas de fibrocimento de duas escolas do concelho, durante as férias escolares de verão, disse fonte autárquica, que também destacou outros melhoramentos nas instalações. [...] A empreitada na Escola Básica 1 de Paredes, que representa um custo de 69 mil euros, contempla a colocação de revestimento exterior em <span style="background-color: #ffff00;">capoto</span>, a substituição da cobertura de fibrocimento e das caixilharias existentes, por materiais com corte térmico, que permitem um maior conforto» («Marco retira placas de fibrocimento de duas escolas», <em>Jornal de Notícias, </em>7.06.2020, p. 27).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      Quase a propósito, Porto Editora: aqui que ninguém nos ouve, que diferenças vês entre os aportuguesamentos <strong>viochene</strong> e <strong>tuvenã,</strong> por exemplo? Eu não vejo nenhuma, o processo linguístico na sua formação é o mesmo, e, contudo, só acolhes a primeira, isto quando a segunda é usada de norte a sul do País diariamente. Experimenta trabalhar numa autarquia local ou lê o <em>Diário da República,</em> e ouvirás e lerás «tuvenã» amiúde.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 516]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3490166 2020-06-09T08:45:00 Léxico: «ciganão» 2020-06-08T18:34:26Z 2020-06-08T18:34:26Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>O grande e o pequeno</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">    <span style="font-size: 14pt;"> «— Faço-te em postas, <span style="background-color: #ffff00;">ciganão</span>! — disse num grito que encheu a praça» (<em>Horizonte Cerrado: Ciclo Port-Wine I,</em> Alves Redol, Alfragide: Editorial Caminho, 2015, p. 69).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      Se eu acho que <strong>tesourinho</strong> tem de estar nos dicionários, quanto mais <strong>ciganão.</strong> É que há aumentativos e diminutivos que estão lexicalizados, e estes têm de constar dos dicionários. Podem, neste caso, antepor-lhe a etiqueta «pejorativo», mas <strong>cigano</strong> tem de figurar nos dicionários também com o sentido de «trapaceiro». Faz parte da história da língua e da comunidade, não é uma posição ideológica. Alberto Maggi, na sua obra <em>Nossa Senhora dos Heréticos </em>(S. Paulo: Ed. Paulinas, 1991, pp. 30-34), também nos diz que se considerava que todos os galileus eram rebeldes. Chamar a alguém rebelde ou galileu era a mesma coisa.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 515]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3489838 2020-06-09T08:30:00 Léxico: «cobogó | antenado | evinel» 2020-06-08T18:31:40Z 2020-06-09T09:00:52Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Nas obras, aquém e além-Atlântico</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">      <span style="font-size: 14pt;"> «A parede do box também foi demolida e substituída por <span style="background-color: #ffff00;">cobogós</span> translúcidos, que trazem leveza ao ambiente» («Suíte para uma mulher <span style="background-color: #ffff00;">antenada</span>», Marcelo Lima, <em>O Estado de S. Paulo, </em>8.05.2020, p. H5). Temos temos cá estes elementos usados em construção civil, mas desconheço o nome. <a href="http://www.lusomatec.pt/pt/produtos/cobogo/sobre/o-que-e-o-cobogo" rel="noopener">Aqui</a> está bem descrito: «Cobogó é o nome dado a elementos construtivo, vazados e pré-fabricado a partir de cimento, argila, vidro, cerâmica, etc. e que servem de complemento, estrutural ou decorativo, a muros, paredes ou fachadas, permitindo controlar melhor a ventilação e amenizar o excesso de iluminação dentro de um imóvel, seja ele residencial, comercial ou industrial.»</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      Enfim, há-de haver sempre termos conhecidos de todos que estão incompreensivelmente arredados dos dicionários. Um que conheço há muitos anos: «Óscar contemplou demoradamente os próprios sapatos e depois começou a esgaravatar o <span style="background-color: #ffff00;">evinel</span> do revestimento, na dúvida sobre se deveria levantar a voz e acusar “certa gente” de fumar em recinto fechado, sem nenhuma consideração pelos outros» (<em>Contos Vagabundos,</em> Mário de Carvalho. Lisboa: Editorial Caminho, 2000, p. 85).</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 514]</span></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3489696 2020-06-09T08:15:00 Léxico: «células mesenquimais estromais» 2020-06-08T18:24:30Z 2020-06-09T10:43:26Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Seria mais informação</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      <span style="font-size: 14pt;">«A maioria dos estudos utiliza as <span style="background-color: #ffff00;">células mesenquimais estromais</span> (MSC, na sigla em inglês), mais conhecidas como <span style="background-color: #ffff00;">células-tronco</span>. A escolha da fonte das células varia de estudo para estudo, sendo que a medula óssea é a mais frequente, mas outras fontes celulares podem incluir o tecido adiposo, o cordão umbilical e até a placenta» («Uso de células-tronco contra Covid-19 avança», Ana Bottallo, <em>Folha de S. Paulo, </em>23.05.2020, p. B5). </span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;"><span style="font-size: 14pt;">      Parece-me suficientemente importante para o dizer no verbete de <strong>célula-tronco. </strong>Contudo, segundo o leitor R. A., nos comentários a este texto (embora eu quase acredite na telepatia), a designação mais usada entre nós é <strong>células mesenquimatosas indiferenciadas</strong> ou <strong>células estaminais.        </strong></span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;"><strong> </strong></span></p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 513]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3489294 2020-06-09T08:00:00 Léxico: «cinegrafista» 2020-06-08T18:22:07Z 2020-06-08T18:22:07Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>O nosso câmara</strong></span></p> <p><strong> </strong></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">  <span style="font-size: 14pt;">    «O homem que tentava se esquivar das agressões era o <span style="background-color: #ffff00;">cinegrafista</span> Robson Panzera, 27, da TV Integração, afiliada da Rede Globo na região de Juiz de Fora (MG). O episódio aconteceu na manhã desta quarta (20), em Barbacena (a 173 km de Belo Horizonte)» («<span style="background-color: #ffff00;">Cinegrafista</span> de afiliada da Globo é agredido em MG», Fernanda Canofre, <em>Folha de S. Paulo,</em> 22.05.2020, p. A10). Não temos, é o nosso <strong>operador de câmara</strong> — o nosso <strong>câmara.</strong></span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 512]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3489039 2020-06-08T09:00:00 Léxico: «bibloco» 2020-06-07T20:32:34Z 2020-06-07T20:32:34Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Nas obras</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">      <span style="font-size: 14pt;">«A Infraestruturas de Portugal (IP) abriu o concurso público para a reabilitação de 12,5 quilómetros da linha do Douro, entre as estações do Pinhão e Tua, pelo preço-base de 4,9 milhões de euros. De acordo com a IP, a empreitada prevê a “substituição integral das travessas de madeira por travessas de betão <span style="background-color: #ffff00;">bibloco</span>, a substituição de carril e transformação de barra curta em barra longa soldada”» («Concurso para reabilitação da linha do Douro entre Pinhão e Tua», <em>Jornal de Notícias,</em> 26.05.2020, p. 28).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 511]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3488820 2020-06-08T08:30:00 Léxico: «trampo» 2020-06-07T20:30:17Z 2020-06-08T08:27:10Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>No dia-a-dia, na literatura</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      «O Brasil fechou 1,1 milhão de postos de trabalho com carteira assinada em março e abril, no pior resultado de toda a série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), iniciada em 1992. Só no Estado do Rio foram 125.154 empregos perdidos no período» («Mais gente sem <span style="background-color: #ffff00;">trampo</span>», <em>Meia Hora, </em>28.05.2020, p. 7).  Na literatura: «Mas não é nada fixo; só um <span style="background-color: #ffff00;">trampo</span> pra segurar as pontas até receber essa tal herança» (<em>Apenas um Herói, </em>Daniel Frazão. Rio de Janeiro: Rocco, 2008, p. 85).</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 510]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3488585 2020-06-07T09:00:00 Léxico: «tromba-d’água» 2020-06-07T07:47:58Z 2020-06-07T09:53:47Z <p><span style="font-size: 24pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif;"><strong>Mas isso é na linguagem comum</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">   <span style="font-size: 14pt;">«Foi em Alcongosta que se registou o nível mais elevado de precipitação no domingo, com uma concentração várias vezes superior à referência para as <span style="background-color: #ffff00;">trombas de água</span> (dez litros por metro quadrado). Em menos de uma hora, choveram 77 litros por metro quadrado» («O “dilúvio” de domingo», Lúcia Reis, <em>Jornal do Fundão,</em> 4.06.2020, p. 3).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">   É claríssimo que este conceito de <strong>tromba-d’água</strong> (atenção à ortografia, Lúcia Reis) não é o científico, único registado no dicionário da Porto Editora: «<span style="font-size: 12pt;">METEOROLOGIA</span> fenómeno meteorológico que consiste na formação de uma coluna de água que faz lembrar uma tromba de elefante e que, saindo de uma nuvem e girando rapidamente em volta de si própria, se prolonga até atingir a superfície do mar, momento em que produz um redemoinho, ruidoso e violento, e sorve a água até ao seio da nuvem, que depois se descarrega em forte aguaceiro». </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      Falta, assim, dicionarizar a acepção mais usada, trate-se de uma extensão de sentido ou seja o que for.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 509]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3488314 2020-06-07T08:30:00 Léxico: «apronto» 2020-06-07T07:44:20Z 2020-06-07T20:49:02Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Nem mais nem menos</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">    <span style="font-size: 14pt;">  «Ontem, segundo deu conta o <em>Tuttosport,</em> Ronaldo chegou ao complexo desportivo da Juventus cerca de quatro horas antes do treino. CR7 quis fazer trabalho individual antes dos colegas chegarem e depois participou na habitual sessão de treinos conduzida por Maurizio Sarri» («CR7 chegou 4 horas antes do <span style="background-color: #ffff00;">apronto</span>», Ilda Figueiredo, <em>Jornal da Madeira,</em> 4.06.2020, p. 27). </span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      O que me parece incontestável, Porto Editora, é que todas as gírias — quer a dos médicos, quer a dos meliantes, para usar um termo de que o <em>Jornal de Angola</em> muito gosta e abusa — têm o mesmo valor linguístico, e não é o que vejo nos dicionários.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 508]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3488191 2020-06-06T09:00:00 Confundir dação com doação 2020-06-06T07:29:22Z 2020-06-06T09:36:06Z <p><span style="font-size: 24pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif;"><strong>Vamos ver se corrigem</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">    <span style="font-size: 14pt;">  O rigor do <em>Correio da Manhã:</em> «Sócrates vive no apartamento do primo, na Ericeira, desde novembro de 2018. José Paulo Bernardo Pinto de Sousa recebeu a casa em <span style="background-color: #ffff00;">doação</span> de um angolano» («Sócrates perde pensão», António Sérgio Azenha, <em>Correio da Manhã,</em> 6.06.2020, p. 12). </span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;"><span style="font-size: 14pt;">      Não é verdade, há aí trapalhada: o primo de Sócrates recebeu a casa como <strong>dação em pagamento.</strong> Por acaso o dicionário da Porto Editora regista esta locução jurídica: «<span style="font-size: 12pt;">DIREITO</span> extinção de uma dívida feita por acordo entre devedor e credor, entregando o primeiro ao último determinado bem que não o originalmente acordado como forma de pagamento». Linguisticamente, diferem apenas numa letrinha; juridicamente, não tem nada que ver uma coisa com a outra.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 507]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3487856 2020-06-06T08:30:00 Léxico: «açúcar panela | pão-de-açúcar | côndito» 2020-06-05T20:50:33Z 2020-06-08T17:44:51Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Entre outros</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">     <span style="font-size: 14pt;"> O documentário <em>DOP</em> retransmitido no dia 3, na RTP2, foi sobre o açúcar. As imagens mais impressionantes, para mim, foram as da confecção da massa dos pastéis de Tentúgal. Apeteceu-me ir lá para ver ao vivo. Falou-se de muita coisa que não está em quase nenhum dicionário, como <strong>açúcar panela, pão-de-açúcar, côndito,</strong> etc.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 506]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3487533 2020-06-05T09:00:00 Léxico: «mielodisplásico» 2020-06-04T17:56:29Z 2020-06-05T20:50:49Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Ainda a medicina</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      <span style="font-size: 14pt;">«Arthur tem 7 anos e o Dia da Criança foi passado a receber uma transfusão de sangue no Hospital de Portimão. Foi diagnosticado com <span style="background-color: #ffff00;">síndrome mielodisplásico</span>, uma doença rara que afeta a medula óssea» («Criança com doença rara precisa de dador», Rui Pando Gomes, <em>Correio da Manhã,</em> 4.06.2020, p. 23).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">      Só pode ser <strong>síndrome mielodisplásica,</strong> não acha agora, Rui Pando Gomes? É jornalista, mas ainda não lhe chegou aos ouvidos esta notícia. Infelizmente, o adjectivo <strong>mielodisplásico </strong>nem sequer no <em>Dicionário de Termos Médicos</em> da Porto Editora está. Claro que todos os dicionários têm os materiais para isto, já que registam o elemento <strong>miel(o)-</strong> e o adjectivo <strong>displásico. </strong>Não é preciso mais.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-size: 8pt; font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif;">[Texto 13 505]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3487377 2020-06-04T10:00:00 Léxico: «metagenómica | metagenómico» 2020-06-03T18:12:31Z 2020-06-03T18:12:31Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>Os cientistas agradecem</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">    <span style="font-size: 14pt;">  «As amostras são coletadas de morcegos na natureza, por meio de cotonetes inseridos na região oro-nasal e retal, e depois analisadas em laboratório. Para identificar os vírus, os pesquisadores usam a <span style="background-color: #ffff00;">metagenômica</span>, método que “pesca” em uma sopa imensa de nucleotídeos o material genético dos vírus de interesse» («Cientistas mapeiam vírus em morcegos em ação contra novas epidemias», Ana Bottallo, <em>Folha de S. Paulo,</em> 8.05.2020, p. H5).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 504]</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:linguagista:3487078 2020-06-04T09:45:00 Léxico: «coitanaxo» 2020-06-03T18:11:08Z 2020-06-06T08:13:33Z <p><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino, serif; font-size: 24pt;"><strong>É preciso fazer alguma coisa</strong></span></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 18pt;">      <span style="font-size: 14pt;">«Afastou a mãe, a <span style="background-color: #ffff00;">coitanaxa</span> da Júlia Minga, que desde a alva se esbagoava em alto pranto, abraçada ao filho, e ficou de pé a fitá-lo, como que interrogando-se sobre o drama que o vitimara» (<em>Volfrâmio,</em> Aquilino Ribeiro. Amadora: Livraria Bertrand, 1983, p. 321).</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 14pt;">      A continuarmos nesta via, um dia será impossível — para os nossos filhos, os nossos netos — saber o que significam milhares de palavras que os nossos melhores escritores usaram.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: right;"><span style="font-family: &#39;times new roman&#39;, times, serif; font-size: 8pt;">[Texto 13 503]</span></p>