«Deferir/diferir»

E quem paga é o leitor

 

 

      «Foi também por isso que as famílias requereram ontem ao Tribunal de Almada a sua constituição como assistentes. Se o juiz de instrução criminal diferir o pedido, passarão a colaborar com o MP sugerindo diligências a fazer. “É isso mesmo que pretendemos. Colaborar para que se esclareça o que aconteceu. Às famílias interessa a descoberta da verdade”, disse Parente Ribeiro» («Polícia Judiciária examina diário de uma das vítimas do Meco», Pedro Sales Dias, Público, 4.02.2014, p. 4).

      A nossa justiça é conhecida por fazer isso: demorar, empatar, adiar, mas neste caso foi o jornalista que adiou a consulta de um dicionário. «Se o juiz de instrução criminal deferir o pedido», ou seja, despachar favoravelmente, devia o jornalista escrever. Ou é por pura preguiça de confirmar ou — o que ainda é pior, pois sabem sempre infinitamente menos do que julgam saber (vd. efeito Dunning-Kruger ou, se quereis em inglês, unskilled-and-unaware effect) — por pensarem que sabem.

 

[Texto 3977]

Helder Guégués às 06:11 | favorito
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