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Linguagista

Definição: «banha da cobra»

Interesse histórico

 

      A actual definição da Porto Editora de «banha da cobra» é correcta nos seus dois sentidos principais, não digo que não, mas empobrece o valor cultural e etimológico da expressão. A sua origem está bem documentada na locução inglesa snake oil, de que a nossa é mero decalque, que se refere inicialmente a um produto real, uma preparação tradicional chinesa à base de gordura de cobra-d’água, rica em ómega-3 e usada para aliviar dores articulares. A fraude começa quando, no século XIX, vendedores ambulantes nos Estados Unidos se apropriam da designação para comercializar misturas inócuas ou mesmo perigosas, frequentemente à base de álcool ou ópio. A expressão passa, assim, a associar-se ao logro, à charlatanice e à promoção enganosa de produtos sem valor. A acepção metafórica permanece viva, tanto no inglês como no português, e o seu registo lexicográfico deve reflectir essa evolução. Assim, proponho banha da cobra 1. produto supostamente milagroso, apresentado como cura para todos os males, mas sem eficácia comprovada, geralmente associado a charlatanismo; 2. qualquer coisa que, apesar de ineficaz, enganadora ou de fraca qualidade, é promovida como excelente ou benéfica.

[Texto 21 986]

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