Descolonizar a língua

«Detalham» e retalham a língua

 

      «Sem detalhar as listagens já feitas — “são conhecidos alguns dos objectos”, diz apenas, por referência às machadinhas polidas do Neolítico ou à arte tchokwe à guarda do MNA —, o secretário de Estado garante estarem identicadas várias peças em colecções públicas e privadas portuguesas que Angola gostaria de ver regressadas» («Um inventário para pôr Portugal a pensar sobre a colonização», Lucinda Canelas, Público, 1.02.2020, p. 41).

      Deve ter sido a deputada Joacine Katar Moreira que persuadiu a jornalista a respeitar a grafia africana da palavra. Não, Lucinda Canelas, não é assim que se escreve a palavra — é chocué. Mas é como se diz, quem não sabe é como quem não vê. Em duas linhas, «detalhar», «listagens», «tchokwe»... Livra!

 

[Texto 12 756]

Helder Guégués às 09:30 | favorito
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