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Linguagista

«Dignitário», de novo

Mais fácil falar

 

      «O titulo [sic] não é meu, mas sim de Javier Marías, escritor que compilou muitas das suas crónicas (El País Semanal) em livros. Nesta (Quando os tontos mandam, Relógio D’Água, 2018, pp. 162-164), Javier Marías insurge-se contra a conduta dos Estados italiano e francês, aquando da visita oficial, do Presidente do Irão, Hassan Rohani em 2016. Os italianos decidiram tapar as estátuas antigas dos Museus Capitolinos, para que os seus nus não ofendessem “o alto dignatário”» («Sem exigências», José Manuel Meirim, Público, 19.02.2021, p. 42).

      Pergunta o leitor R. A.: «O Público errou? Ou foi José Manuel Meirim? Ou foi Javier Marías?» Talvez nenhum, respondi. Se José Manuel Meirim citou bem, o erro é do tradutor e do revisor de Quando os Tontos Mandam. Seja como for, José Manuel Meirim, só neste excerto, já tem erros e más escolhas que cheguem. A pontuação é para esquecer: «aquando da visita oficial, do Presidente do Irão, Hassan Rohani em 2016». Não sei se já vos disse que só usaria «aquando» se me ameaçassem com uma arma, e mesmo assim, depende.

      Voltando ao que mais interessa: o correcto é dignitário. Contudo, o VOLP da Academia Brasileira de Letras, como já aqui lembrei, regista «dignitário» e «dignatário». Mais: é erro tão comum, que o encontramos por todo o lado. Num texto de apoio da Infopédia («Convento de N. Sra. do Carmo (Moura)»), lá está ele: «No lado oposto do Evangelho, o destaque vai para a Capela de S. Martinho, com o seu portal clássico quinhentista, sobrepujado pelo brasão eclesiástico dos Limpos, símbolo heráldico que materializa o patrocinador deste empreendimento, o alto dignatário religioso originário de Moura e que foi arcebispo de Braga, D. Frei Baltasar Limpo.»

 

[Texto 14 731]

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