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Linguagista

«Dressage» e «ensino», um caso patológico

Não é esse o caminho

 

      «O silêncio tem sido o grande unificador em Tóquio no mosaico desportivo dos Jogos Olímpicos. Não há público. Mas há modalidades em que o silêncio é obrigatório para ouvir versões instrumentais em volume baixo de Queen e Coldplay. É este o som do ensino (o nome internacional é “dressage”), uma das disciplinas equestres dos Jogos Olímpicos e que teve a sua final por equipas ontem, em Tóquio» («Portugal ficou em oitavo “na dança de cavalos”», Marco Vaza, Público, 28.07.2021, p. 35).

      Poucas vezes se lê a palavra dressage na nossa imprensa que não expliquem que em português é ensino — ou, como no caso, vice-versa. Mas a falha também está nos dicionários. Assim, no dicionário da Porto Editora, se uma acepção no verbete ensino é esta («(animais) adestramento, treino»), não há, contudo, remissão para dressage, nem desta para aquela. Não é assim que estimulamos os falantes a usarem as palavras da nossa língua em detrimento de termos estrangeiros. E claro que os jornalistas usarem sempre as duas palavras não deixa de ser ridículo, só que ninguém diz nada.

 

[Texto 15 389]

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