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Linguagista

Enxaquecas e inglês

Uma dor de cabeça

 

      «Uma equipa do Serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do Centro Hospitalar São João, do Porto, anunciou ter realizado “com sucesso” um tratamento cirúrgico minimamente invasivo (endoscópio) de enxaqueca, que é “inédito em Portugal”. A intervenção em causa é realizada por meio de técnica endoscópica na região frontal e é dirigida aos chamados “trigger points”, isto é, pontos desencadeantes das crises dolorosas. A técnica consiste em “seccionar os músculos situados na região frontal do crânio (corrugador e procerus), e libertar os nervos adjacentes, nomeadamente o nervo supraorbitário e supratroclear (situados na parte superior do olho), com técnica endoscópica. A estimulação desses nervos era o factor desencadeante das cefaleias. A cirurgia é realizada através de três pequenas incisões (15 milímetros) localizadas no couro cabeludo, com anestesia geral e obriga a internamento de apenas um dia (one day surgery)”, explica o cirurgião [António Costa Ferreira]. [...] A utente submetida a esta técnica, afirmou que “há 25 anos que não estava dois meses sem tomar analgésicos e sem cefaleias”, sublinhando que esta intervenção “mudou” a sua vida» («Hospital de São João realizou cirurgia “inédita” para tratamento da enxaqueca», Rádio Renascença, 18.09.2017, 14h09).

      Farto-me de rir com estes médicos: trigger points, one day surgery... A «utente» não passava dois meses sem tomar analgésicos e sem cefaleias. Ora, eu não passava duas semanas sem tomar analgésicos e sem cefaleias. A diferença: curei-me a mim mesmo. Graças, é verdade, a um livro de um médico, um génio, Oliver Sacks. (E já viram os termos que faltam no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora? Ih, Jasus, tantos. Corrugador, supraorbitário, supratroclear.)

 

[Texto 8158]

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