«Espectador/espetador»

Não vivemos no mesmo país

 

 

      «Por exemplo: “Espectador”, que era alguém que a gente sabia que assistia, tinha assistido, ou ia assistir a um “espectáculo”, passou a “espetador”, que é alguém que assiste, assistiu ou assistirá a um “espetáculo”, coisa que dá um certo trabalho a perceber o que é. Ao que parece, e apesar de “espetáculo” não poder ser “espectáculo”, “espetador” admite dupla grafia e deixam-nos continuar a escrever “espectador” se nos apetecer (Obrigada! Obrigada! Obrigada!, como diria a Amália)» («A língua? Um tigre de papel», Ana Cristina Leonardo, «Atual»/Expresso, 23.05.2014).

     Para mim, é «espetador» que dá um certo trabalho a perceber o que é, mas adiante. Nem sei como é que «espectador» admite dupla grafia, mas dizem que sim. Mais: «Dupla grafia no mesmo espaço geográfico, dado os falantes apresentarem oscilações de pronúncia dentro de uma mesma variante, neste caso, a portuguesa; é neste tipo de situação que se inscreve espectador/espetador, um caso de dupla grafia dentro da nossa variante, o que, na prática, significa que, em Portugal, os falantes poderão escrever a palavra com ou sem c, consoante o pronunciem ou não» (Anaísa Gordino, in Ciberdúvidas). Parafraseando Amália, o Acordo Ortográfico é um mistério. Nunca ninguém vai conseguir explicá-lo!

 

[Texto 4614]

Helder Guégués às 12:27 | favorito
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