Ficamos sem saber

Segunda colheita

 

 

    «Há dias, uma reportagem do Expresso assinada por Vera Lúcia Arreigoso abordou a forma como os país portugueses transferem a mariquice hipocondríaca para os filhos. [...] O nosso medo original é elevado ao cubo pela hipocondria dos outros país. [...] As creches são pressionadas para não manterem nas instalações uma criança com febre. Por dá-cá-aquela-palha, somos chamados à creche, porque a “menina tem um piquinho de febre”. […] Se sai com frequência para ir buscar a filha pseudo-doente a meio do dia, uma funcionária está a correr riscos» («38 de febre, ou o medo de ser mãe», Henrique Raposo, Expresso Diário, 7.05.2014).

      Revisão, nada. Eu diria «pressionadas a». «Por dá cá aquela palha», sem hífenes. «Pseudo-doente» é erro ortográfico igual ao de ontem, ou seja, não aprendemos com os erros. E mais – e pior –, ontem era segundo o Acordo Ortográfico de 1945, hoje, segundo o Acordo Ortográfico de 1990. Bem, talvez não se possa fazer semelhante afirmação: na crónica de ontem, só por uma palavra, «exacto», se sabia qual a ortografia; na crónica de hoje, também só por uma palavra, «afeta».

 

[Texto 4518]

Helder Guégués às 19:31 | favorito
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