Ficaram de fora e são muitos

No reino do dicionário

 

      A esta hora, está uma multidão de tigrés e de escalhenses à porta da Porto Editora para tentarem entrar. Mas há outros. Um figueirense exige que o hipómetro meça qualquer equino ou muar. Um grupo ruidoso, mas desarmado, de muçulmanos exige a dicionarização dos nomes dos meses do calendário islâmico. Um chefe obscuro, acolitado por um crítico gastronómico dispéptico, quer o limão tangerino no dicionário. Já! Um alentejano, moreno como um mouro, exibe, orgulhoso, um par de decas. Um cantautor luso-espanhol mostra, despeitado, um cartaz em que se lê «cantor × autor» com um ponto de interrogação gigantesco. Acho que está aqui a preparar-se uma revolta popular.

 

[Texto 9872]

Helder Guégués às 10:45 | comentar | favorito | partilhar
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