«História/estória»

Uma grande treta

 

      «Em resposta à líder do CDS-PP, António Costa disse, no debate quinzenal, que as políticas do Governo “estão certas, os resultados são bons” e que o Executivo do PS “tem de continuar”. “Nós não contamos histórias, nós apresentamos resultados”, afirmou, depois de ouvir Assunção Cristas afirmar que “o primeiro-ministro é um contador de estórias”» («“Autarca de Borba conhecia a matéria há muito tempo”», João Alexandre e Judith Menezes e Sousa, TSF, 11.12.2018, 15h15). 

      Os jornalistas que me desculpem, se quiserem, mas isto é uma treta irritante. Acaso espreitaram por cima do ombro de Assunção Cristas e viram a palavra assim escrita nos papéis do discurso? Ou da boca da deputada centrista, em vez de sons, saíram, materializadas, sílabas? Treta, não tanto pela legitimidade ou não da palavra «estória», que jamais usarei, mas porque são homófonas. Quem não sabe, ou contesta, que o vocábulo «história» tanto designa a dimensão mais episódica e ficcional do relato de uma história, como a dimensão de narrativa oficial dos acontecimentos? Uma treta, repito, que não devia ser caucionada pelos jornalistas. Já hoje aqui citei um bom exemplo: Histórias da História, de Helena Matos, na Antena 1. Como se vê, soube resistir.

            [Texto 10 444]

Helder Guégués às 20:18 | favorito