Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Linguagista

Húbris, hamartia e némesis

A tragédia nacional

 

      «Húbris... Mais uma vez a Polícia Judiciária (PJ) deu a uma das suas operações um nome enigmático. A detenção de sete militares, quatro da Polícia Judiciária Militar (PJM), entre os quais o próprio diretor, e de três elementos da GNR, bem como do presumível autor do roubo, levou o nome de código Operação Húbris» («Tancos: um crime, uma farsa e uma investigação difícil», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 26.09.2018, 00h10).

      Enigmático porquê, Valentina Marcelino? A jornalista consultou um dicionário, aleluia: «“Orgulho ou autoconfiança excessiva: arrogância; insolência” é o significado. Para os gregos, húbris era uma conduta desmedida considerada um desafio aos deuses e que acarreta a ruína de quem assim age. O DN questionou a PJ e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o porquê da escolha. “Foi o que se passou”, é a tese da PJ e do Ministério Público, justificada por fonte diretamente envolvida na investigação. Tudo atribuído à PJ Militar.» Ou seja, copiou as duas acepções do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, acrescentando apenas, na segunda, a palavra «húbris». Parece-me que a PJ consultou outro dicionário, e por isso a jornalista não chegou à hamartia (infelizmente, só termo médico para a Infopédia) e à némesis. Só uma dúvida não linguística: de certeza que termos uma Polícia Judiciária Militar não é inconstitucional?

 

[Texto 9996] 

1 comentário

Comentar post