«Intimar/intimidar»

Uma confusão persistente

 

      Lia Pereira anda pela cidade com o propósito expresso de tentar encontrar situações dignas de interessar os leitores do Expresso Diário. Às vezes consegue. Neste caso, é «... e mal ponho um pé fora do táxi, cai-me em cima um arrumador que me intimida a dar-lhe “uma moeda! Uma moeda! Anda lá, ando aqui a arrumar carros... e está tudo a ver o Benfica!”» («Boca do povo», Lia Pereira, Expresso Diário, 6.05.2016).

      Os sem eira nem beira até podem intimidar (mas ameaçá-los costuma ser eficaz), só que a jornalista, que deve ter ficado perturbadíssima com este mau encontro, confunde intimidar com intimar, confusão a que já estamos habituados. Intimidar é inspirar receio, medo ou temor a; amedrontar. Para seres muitas vezes desesperados, não há-de ser difícil. Não há dúvida de que, com uma intimação, se consegue intimidar uma pessoa. Em latim, intĭmo,as,āvi,ātum,are é fazer algo penetrar. Só em sentido figurado é que significa fazer algo (uma ordem) penetrar no espírito de outrem; interpelar; notificar. Quem nos dera fazer penetrar na mente de muitos esta diferença.

 

[Texto 6793]

Helder Guégués às 07:42 | favorito
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