Léxico: «arimaspo»

Não falemos de monstros

 

      «Naquela época havia no mundo uma extraordinária diversidade de monstros: sereias, grifos, gigantes, amazonas, antropófagos, ciclopes, arimaspos ou blénias — estes últimos, homens sem cabeça, com a boca e os olhos inseridos no peito» (O Paraíso e Outros Infernos, José Eduardo Agualusa. Revisão de Margarida Filipe. Lisboa: Quetzal Editores, 2018, p. 22).

      Os antropófagos são monstros? Não. Apenas arimaspo e blénia não encontro nos nossos dicionários. O primeiro vejo-o em alguns vocabulários. No entanto, o Dicionário da Real Academia Espanhola acolhe-o: «Cada uno de los pobladores fabulosos de una región asiática, que tenían solamente un ojo y luchaban con los grifos para arrebatarles las riquezas de que estos eran guardadores.» Primos dos ciclopes. Ah, sim, o Aulete também o regista, mas sem nenhuma semelhança: «antigo povo da Sarmácia europeia». Blénia só encontro em dicionários antigos, mas num sentido nada monstruoso: peixe saltador das proximidades do oceano Índico. Em suma, não falemos de monstros.

 

[Texto 9107]

Helder Guégués às 15:47 | comentar | favorito
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