Léxico: «atenazar»

Estamos a tempo

 

      «Luísa de Jesus, foi a última mulher condenada à morte em Portugal. Foi atenazada (queimada com uma tenaz em brasa) e garroteada (perfuração gradual do pescoço, com o corpo amarrado a uma cadeira), por entre os gritos e os aplausos da multidão que assistia. Estávamos no século XVIII e esta mulher de Coimbra, [sic] foi a maior homicida que o país conheceu» («Psicopatas Portugueses. Um livro para maiores de 18 com sangue nas folhas», Teresa Dias Mendes, TSF, 30.05.2019, 7h44).

      Estão a ver como os nossos dicionaristas foram imprudentes quando mandaram para o lixo certos, demasiados, verbetes e acepções? Hoje em dia, atanazar/atenazar é apenas, tirando os sentidos figurados, «apertar com tenaz». Tortura que é tortura não se limita a apertar — aperta com tenaz ardente. É assim em Morais. Se não houver aqui uma tomada de consciência (e muito trabalho), dentro de uns anos não se compreenderá metade do que se escreveu do século XX para trás.

 

[Texto 11 446]

Helder Guégués às 09:19 | favorito
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