Léxico: «axolote»

Ciência sem palavras?

 

      «Há uma espécie de salamandra que, se perder os membros do corpo, os consegue regenerar. Chama-se axolote e faz este trabalho na perfeição: os ossos, os músculos e os nervos voltam a crescer no sítio certo. Há mais: a planária é um verme que, se for cortado aos pedacinhos, também é capaz de se reconstruir. Portanto, estes animais são uma ajuda no estudo da regeneração de tecidos. Mas como o fazem? Para perceber isso, descodificou-se todo o genoma destas espécies, que vem descrito esta semana em dois artigos científicos na revista Nature. [...] O axolote (Ambystoma mexicanum) distingue-se bem das outras salamandras: tem três pares de brânquias externas nos dois lados da cabeça que parecem plumas. Tem a pele escura, mas também há indivíduos albinos. Só é aquático e alimenta-se de algas, vegetação e de invertebrados aquáticos. [...] Afinal, o axolote já anda no mundo dos laboratórios desde 1864» («O que podemos aprender com os superpoderes de regeneração de uma salamandra e uma planária?», Teresa Serafim, Público, 27.01.2018, p. 26).

      Vá lá, planária está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, embora a definição pudesse ser substancialmente melhorada. Axolote (cs) é que, apesar de andar no mundo dos laboratórios desde 1864, não coube — mas está no VOLP da Academia Brasileira de Letras. Deus, quando fez o Brasil, se o castigou com Jair Bolsonaro e outras criaturas, também lhe deu mais bites e bytes, e por isso pode ter dicionários muito mais completos do que os nossos.

 

[Texto 8623]

Helder Guégués às 08:49 | favorito
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