Léxico: «batedor»

Batedores e bombeiros

 

      «De manhã com um camionista, de tarde com uma camionista – o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai passar o dia numa viagem pela Estrada Nacional 1 de Lisboa até ao Porto. Marcelo quer chamar a atenção para as dificuldades e necessidades desta classe profissional e também para o estado das estradas. [...] O Presidente não leva batedores nesta viagem porque quer aperceber-se e dar a conhecer as reais condições de trânsito e de trabalho na EN-1» («Presidente faz Lisboa/Porto em camião pela estrada nacional», Paula Caeiro Varela e Eunice Lourenço, Rádio Renascença, 21.01.2019, 11h46).

      Mau, temos aqui mais um problema: para o dicionário da Porto Editora, é o «MILITAR soldado que vai adiante de um exército para explorar o terreno». É mesmo? Não são estes que costumam escoltar o Presidente da República. Não é o único dicionário a que falta essa acepção (ou definição mais abrangente, como me parece mais adequado), é verdade, mas este tem para aí um quarto do número de acepções de outros dicionários na entrada batedor. Uma questão para rever. (Senhoras jornalistas, eu escreveria «Lisboa-Porto».) Isto fez-me lembrar, era inevitável, o caso da parada, de que tratei aqui, que o dicionário da Porto Editora continua a afirmar tratar-se somente de um espaço nos quartéis militares. E os bombeiros, senhores, os bombeiros? Eis mais uma causa para Jaime Marta Soares...

 

[Texto 10 625]

Helder Guégués às 15:10 | favorito
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