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Linguagista

Léxico: «bazulaque»

Erros não faltam

 

      «Um bazulaque sobre a mesa. Uma espécie de guisado à base de miúdos de carneiro, cozinhados em frigideiras ou caçoilas de barro, onde depois de se pode molhar o pão. Estamos no século XV e sorte de quem, na Lisboa medieval, tem esse pitéu sobre a mesa» («A padeira e o marchante que alimentaram a Lisboa medieval», Cristiana Faria Moreira, Público, 3.05.2019, p. 22).

      Está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, sim, mas tenho dúvidas. Será mesmo caso para figurar como segunda acepção? Hum... Deu-se o nome de bazulaque ao homem baixo e muito gordo porque se alambazava com tal pitéu, não o contrário. Lê-se naquele dicionário que é um «guisado de miúdos», mas a jornalista acrescentou, e bem, que se trata de miúdos de carneiro, e não outros quaisquer. Faz toda a diferença — pelo menos para quem o come. Há uma variante, badulaque, que a Porto Editora regista, mas para a qual bazulaque não remete. Na variante, a definição já não é a mesma: «guisado de fígado e bofes em bocados pequenos; bazulaque». Enfim, erros, imprecisões, injustificadas diferenças de tratamento não faltam.

 

[Texto 11 467]

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