Léxico: «carquejeiro»

Redimam-se

 

      «Arminda Santos teve contacto com a vida das carquejeiras quase quatro décadas depois do seu desaparecimento. As horas de trabalho que passou, em tempos, junto à marginal do Douro, no Porto, confrontaram-na com uma realidade que já não existia, mas estava bem presente» («Carquejeiras, mulheres de ferro que o Porto não quer esquecer», Sónia Santos Silva, TSF, 28.03.2018, 20h46).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe carquejeiro, pudera, mas, carago!, que pobre homenagem: «aquele que apanha ou vende carqueja». Até pode acontecer, digo eu, que nem sequer houvesse carquejeiros, ou muito poucos, mas a lógica dos dicionários é esta, e quanto a isso não podemos fazer nada. Porque não registar que era profissão que se pode considerar própria da cidade do Porto? Como é que aquelas mulheres, mesmo grávidas, andavam, descalças ou com alpargatas, por calçadas íngremes debaixo de carretos com mais de 50 quilos? Sobre-humano. Tal como as carrejonas. Vá, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, apura-te, ninguém levará a mal, bem pelo contrário.

 

[Texto 8979]

Helder Guégués às 23:06 | favorito