Léxico: «charco»

É um problema, é isso?

 

      «O seu ritmo é o das estações. Poucos dão por eles e ainda menos sabem da riqueza em termos de vida que aqueles charcos que existem no Sudoeste alentejano podem albergar. Característicos do clima mediterrânico, secam no Verão e enchem-se no Inverno, dando abrigo a espécies que, face a estas características inconstantes, são extremamente raras e únicas. Mas estes habitats estão a desaparecer e já só 20% estão em bom estado de conservação» («Só um quinto de um dos habitats mais ricos do Sudoeste está bem», Carlos Dias, Público, 2.10.2018, p. 14).

      Como é que, perante isto — e não apenas, há extensos estudos científicos —, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora se limita a dizer que charco é a «porção de água estagnada e pouco profunda»? Para começar, há charcos temporários (estes de que o artigo do Público trata) e charcos permanentes. Os charcos temporários mediterrânicos, leio nesta dissertação de mestrado, «consistem em depressões pouco profundas situadas em substratos impermeáveis, de dimensão reduzida e endorreicas, que ocorrem em clima mediterrânico, e apresentam uma flora e fauna característica».

 

[Texto 10 036]

Helder Guégués às 09:23 | comentar | favorito