Léxico: «chinoiserie(s)»

Não são chinesices

 

      «Mário Roque [da Galeria São Roque, em Lisboa] editou, ainda, o livro “Lisboa na Origem da Chinoiserie. A Faiança Portuguesa do Século XVII”, sobre a coleção de faianças da sua galeria, porque estas peças portuguesas “foram as primeiras ‘chinoiseries’ na Europa”, algo que “até em Portugal a maior parte das pessoas não sabe”. “As ‘chinoiseries’ são os objetos que são feitos na Europa com motivos chineses. Nós tínhamos o gosto por tudo o que vinha do Oriente e os nossos oleiros começaram a fazer, baseados nos desenhos chineses, as suas peças. O sucesso foi tanto que começaram a exportar para toda a Europa. A maior parte dessas faianças chegavam a Hamburgo e depois eram distribuídas pela Europa”, contou o galerista» («Salva portuguesa do século XVI premiada na Bienal de Paris», TSF, 10.09.2018, 14h12).

      Não me oporia a que se levasse este galicismo para os nossos dicionários. Bem pior é o que se passa actualmente, pois só o encontramos, no caso da Infopédia, no Dicionário de Francês-Português, e definido de uma forma assaz inadequada: «chinesices, objetos da china [sic]». Vamos à fonte, ao Trèsor: «Objet d’art, de luxe, de fantaisie, de dimensions plus ou moins importantes (bibelot, peinture, décor, meuble), venant de Chine ou, plus souvent, réalisé en Occident selon le goût chinois, fait de finesse mais aussi de surcharge, particulièrement en vogue au XVIIIe siècle.»

 

[Texto 9892]

Helder Guégués às 15:33 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,