Léxico: «chipar»

É como as bruxas

 

      No Dia Mundial do Animal, a Tarde da Renascença convidou a presidente da associação Animal. Rita Silva respondeu a dez perguntas sobre os direitos dos animais. Centremo-nos numa delas: «É obrigatório pôr chip no meu cão e gato? E registá-los na minha Junta de Freguesia?» «O licenciamento e registo de cães na Junta de Freguesia são obrigatórios (só se podem registar animais chipados). O de gatos é voluntário — a não ser que sejam animais registados no Livro de Origens (LOP). É obrigatório chipar cães nascidos depois de julho de 2008, todos os cães usados na caça e animais P e PP. Não é obrigatório nos gatos, mas é aconselhável» («10 respostas sobre direitos de animais», Rádio Renascença, 4.10.2018, 20h36).

      Ia pedir-vos que não me perguntassem o que são «animais P» e «animais PP», mas agora, depois de pensar e investigar um pouco, já sei a resposta: P é de «perigoso» e PP de «potencialmente perigoso». Lamentável é não estar explicado no artigo. Mas vamos ao que interessa mais: chipar. Ouço a palavra há anos, mas, ao que creio, ainda não está em nenhum dicionário. O mais conveniente, a meu ver, era os dicionários aportuguesarem chip em «chipe». Sim, há já dicionários que deram este passo lógico. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ainda não o fez, pois o chipe que tem é a ostra perlífera. Feito esse aportuguesamento, o segundo passo — dicionarizar chipar — estaria ainda mais legitimado.

 

[Texto 10 050] 

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito
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