Léxico: «coitadismo»

Assenta-lhe bem

 

      «“Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Tudo é coitadismo no Brasil, vamos acabar com isso”, disse Bolsonaro, citado pela Reuters Brasil» («Bolsonaro desce entre os evangélicos e diz que vai acabar com “coitadismos”», Clara Barata, Público, 25.10.2018, p. 26).

      Vamos ter oportunidade de conhecer melhor a personagem, já que no domingo vai ganhar as eleições. Entretanto, convém dizer que não foi ele que criou o termo «coitadismo», mas sim Emil Farhat (1914-2000), jornalista, publicitário e escritor brasileiro. E não temos nós «vitimismo»? Quer dizer, temos, mas não aparece nos dicionários. «A esquerda, como ficou demonstrado na fase mais aguda da revolução, apostou (e continua a apostar) — no que respeita à linguagem de suporte dos conceitos que defende — na técnica da repetição, segundo o ensinamento de Lenine, incitando à intensificação da “justa luta” na salvaguarda das “grandes conquistas dos trabalhadores”; a direita, porém, não cessou de esgrimir com a lamentação, o vitimismo, também numa cadência a que se poderá chamar “leninista”» (Ou Vice-Versa (Mitos de Trazer por Casa), Júlio Conrado. Lisboa: A Regra do Jogo, Edições, 1980, pp. 113-14). E vitimista também se eclipsou.

 

[Texto 10 196]

Helder Guégués às 08:47 | favorito
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