Léxico: «coligação negativa»

Em 2009 e em 2018

 

      «O debate começou com críticas do PS sobre a constitucionalidade das propostas, mas uma coligação negativa ditou que o imposto sobre os combustíveis vai mesmo baixar. Ao Expresso, especialista explica que o excesso de dinheiro que o Governo já angariou é a chave que abre as portas para a nova lei» («Esquerda dá a mão a PSD e CDS para reduzir imposto sobre os combustíveis», Mariana Lima Cunha, Expresso Diário, n.º 1203, 21.06.2018).

      Sim, ainda me lembro de o ter proposto para dicionarização, o que não aconteceu, mas é expressão cada vez mais usada, como se vê. Se houver dificuldade, veja-se se este excerto de um artigo de José Manuel Fernandes não ajuda a alinhavar uma definição: «Terceira perplexidade: não existindo maioria na Assembleia, o Governo tem de negociar com as oposições para conseguir equilíbrios entre os respectivos compromissos eleitorais. Quando tem sucesso, como sucedeu com a avaliação de professores, critica-se o partido da oposição que negoceia; quando, pelo contrário, o Governo vê ser aprovada uma proposta por toda a oposição, então lá vem a “coligação negativa”. É absurdo, mas é o discurso dominante» («O triunfo da “novilíngua” de um Governo sem maioria», Público, 4.12.2009, p. 39).

 

[Texto 9474]

Helder Guégués às 22:07 | comentar | favorito
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