Léxico: «consulado»

Com licença

 

      A questão era como traduzir o termo inglês reign. Referia-se, atenção, a um primeiro-ministro. A Walpole, digamos. É natural, creio, que nos surja logo a palavra «reinado», num sentido figurado, bem entendido, para a traduzirmos. Contudo, pode ser equívoca, tanto mais que o contexto é todo referido a uma monarquia. Como fugir ao que parece inevitável? Ocorreu-me a palavra consulado. Não dizemos nós que no consulado de Fulano se fez isto ou aquilo? Bem, para os dicionários parece que não se diz. Não para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo. E então, mudamos a língua ou os dicionários? «E, apesar de os territórios não autónomos irem sendo cada vez mais raros, ainda ocorreram emancipações com significado no consulado de Marcelo Caetano: as ilhas Fiji, Omã, Tonga, Bahrein, Quatar [sic], Bangladesh, as Baamas» (Quase Memórias: do colonialismo e da descolonização, 1.º vol., António de Almeida Santos. Cruz Quebrada: Casa das Letras, 2006, p. 183).

 

[Texto 10 077]

Helder Guégués às 15:32 | comentar | favorito | partilhar
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