Léxico: «contra-resposta»

E agora, como é?

 

      «Para estes activistas e intelectuais, a empatia humana está dividida por cercas. Lamento, mas a lógica dos muros começou muito antes de Trump, e começou na esquerda que diz que o branco pobre não é bem uma vítima, porque é branco. Na contra-resposta da direita, há agora uma nova vaga de nacionalismo branco, que responde ao politicamente correcto na mesma moeda reaccionária e quase biológica: o que interessa é a tribo étnica em que se nasce; é como se o ser humano fosse tão determinado pela biologia como uma árvore ou animal, é como se estivéssemos destinados a abandonar a Graça em nome da natureza» («A pobreza salvar-nos-á», Henrique Raposo, Rádio Renascença, 9.11.2018).

      Não será, mais propriamente, «réplica» que o cronista devia usar neste contexto? Seja como for, contra-resposta — um termo da música que significa resposta ao contra-sujeito de uma fuga — nem sequer sobreviveu à voragem dos tempos, acabando por desaparecer dos nossos dicionários. E agora, como é? Como sabe o falante se o vocábulo está a ser bem usado?

 

[Texto 10 254] 

Helder Guégués às 08:36 | comentar | favorito | partilhar
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