Léxico: «cornelho»

Nada se saberá

 

      «No tempo em que a fome apertava, as vagens das favas ainda não estavam cheias e já havia quem as comesse. Pelo menos nalgumas regiões do Douro era isso que acontecia, com o prato a chamar-se de cornelhos» («Ainda não formadas e já dão para comer», «Sexta»/Correio da Manhã, 18-24.05.2018, p. 32).

      Então tu, Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que também és da região do Douro, não guardas a palavra? Aqui é outra coisa, mas cornelho designa sobretudo o fungão ou cravagem do centeio e do trigo, que antigamente o rapazio ia procurar nas searas e depois vendia nas boticas. Bem sei que registas cornecha/cornecho para o mesmo, mas não chega. Procura e encontrarás muitas abonações. Aquilino, por exemplo, também o usa, mas noutra acepção, a de alimpadura dos cereais: «Simultâneamente com o negócio das peles, Lúcio comprava cornelho, moinha, com que na cidade os pobres enchem as fronhas, e volfrâmio» (Casa do Escorpião, Aquilino. Lisboa: Livraria Bertrand, 1963, p. 77). Portanto, temos aqui várias acepções.

 

[Texto 9243]

Helder Guégués às 12:58 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: ,