Léxico: «criticidade»

Ficamos na mesma

 

      «Um grupo de físicos italianos analisou os manuscritos de Heisenberg sobre o B-VIII, e pôde concluir que os alemães estavam no caminho certo, bem perto de se tornarem um perigo nuclear. “Embora o B-VIII ainda estivesse longe do nível de criticidade (encontrava-se em k = 0,85, e tinha de atingir o k = 1), a distância para um reator sustentável era pequena. De certa forma, é estranho que lhes tenha escapado a configuração correta”, comentou o físico de partículas da Agência Italiana para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Sustentável e principal autor da investigação, Giacomo Grasso. [...] A análise do cubo de Koeth por espetroscopia de raios gama mostra que este bloco não foi utilizado em nenhum reator que tenha atingido a criticidade necessária» («A Alemanha de Hitler esteve perigosamente perto de produzir a bomba nuclear», Catarina Maldonado Vasconcelos, TSF, 8.05.2019, 10h38).

      Claro que a nossa criticidade é demasiado difusa («característica do que é crítico», lê-se no dicionário da Porto Editora e em quase todos), remete para vários conceitos, pelo que o falante não ficará esclarecido, como sempre se espera. O Cambridge Dictionary, por exemplo, define-o assim criticality: «SPECIALIZED physics a nuclear chain reaction that is able to continue by itself, or the conditions under which this happens: A criticality can occur when too much radioactive material is placed together.» Imagino que muitos físicos portugueses prefiram o termo «criticalidade»... Por acaso, a este encontramo-lo em dois dicionários bilingues da Porto Editora. Em dois, não em todos. Demasiadas pontas soltas.

 

[Texto 11 328]

Helder Guégués às 11:47 | comentar | favorito
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