Léxico: «cubilho»

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      «“A partir daí vamos começar a trabalhar os casulos e a extrair a seda. O primeiro processo consiste no sarilho, com uma caldeira de cobre, em que a água tem que estar a 90 graus. Não pode ferver, mas tem que estar sempre naquela temperatura. Os casulos inteiros, que é a seda de primeira qualidade, são postos em água quente e, depois de amolecidos, vão soltar o fio. Um fio representa 20 casulos puxados ao mesmo tempo. À medida que faz este percurso, seca e cola. Daqui, a meada vai para a dobadoura, onde é dobada em cartões. Depois de selecionada a grossura do fio, para ir todo igual, é feito o cubilho, que é a junção de 12 fios (12 vezes os 20 fios) para fazer um só. Esse fio vai para o fuso, que é torcido metro a metro, para fazer a meada que vai ser cozida em água e sabão, que é o branquear ou degomar a seda. Assim, a seda fica pronta a ir para o tear para começar o processo da tecelagem”, conclui Susana Martins [formadora do curso de tecedeira e tecelão]» («Freixo de Espada à Cinta quer produzir seda para todo o mundo», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 12.07.2018, 13h11).

      Temos de recuperar estas artes multisseculares — e as próprias palavras. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, não conhece a palavra cubilho.

 

[Texto 9606]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | favorito | partilhar
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